SEMPRÔNIO – O PRETORIANO FIEL

 

Em 15 de janeiro de 69 D.C, morre o centurião da Guarda Pretoriana, Semprônio Denso

Ao estudar a História do Império Romano, ficamos pasmos com a quantidade de vezes em que imperadores foram assassinados pela Guarda Pretoriana, que, afinal, era uma unidade militar de elite que, em tese, deveria existir para proteger o soberano.

Entretanto, nem todos os Pretorianos eram venais e subornáveis, como mostra o exemplo do centurião Semprônio Denso.

O imperador Galba, que em junho de 68 D.C, sucedeu Nero, após este ter se suicidado em decorrência da crise que se iniciou com a revolta das legiões da Gália, sendo já um homem de idade e sem filhos escolheu, em 10 de janeiro de 69 D.C, como sucessor, o nobre Lúcio Calpúrnio Pisão Liciniano.

A escolha desagradou outro nobre e partidário de Galba na rebelião contra Nero, Marco Sálvio Oto (ou Otão) que, julgando-se preterido, subornou integrantes da Guarda Pretoriana para assassinar o imperador e seu herdeiro escolhido.

No dia 15 de janeiro, um grupo de pretorianos a serviço de Oto interceptou o cortejo que conduzia as liteiras de Galba e de Liciniano.

Quando viram o grupo armado, parte dos pretorianos que faziam a escolta do imperador fugiu e outra parte juntou-se aos atacantes.

Somente o centurião Semprônio Denso manteve-se ao lado do imperador.

Plutarco conta que Semprônio levantou a sua vara de centurião, feita de videira e costumeiramente usada para castigar os soldados faltosos, ordenando que não tocassem o imperador. Não sendo isso suficiente para afastar os colegas renegados, o fiel centurião desembainhou a sua espada (ou, na versão de Tácito, um simples punhal) e enfrentou em combate homem-a-homem vários inimigos, até receber um golpe nas pernas, que o levou ao chão, onde foi morto.

A bravura de Semprônio permitiu que Liciniano conseguisse escapar do atentado e se refugiar no Templo de Vesta, onde contudo foi posteriormente capturado e morto a mando de Oto, em desrespeito ao santuário sagrado.

O feito de Semprônio também foi registrado pelo historiador Dio Cássio, como sendo o único ato de bravura ocorrido naqueles dias,  e, por isso,  ao terminar de narrar em sua História o caso do infeliz centurião, ele fez questão de afirmar:Centurion5

 

“É por isto que eu registrei o seu nome, pois ele é muito merecedor de ser mencionado”

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