AVE, GEORGIOS!

AVE, GEORGIOS!

Em 23 de abril de 303 D.C, um soldado romano chamado Georgios teria sido executado por ordens do Imperador Romano Diocleciano.

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(Cabeça de Diocleciano, foto de Daniel Ventura )
Diocleciano havia ordenado que todos os soldados do Exército Romano oferecessem um sacrifício aos deuses do panteão tradicional de Roma, e aqueles que se recusassem deveriam ser presos.

Georgios (Jorge), segundo a hagiografia e a tradição cristã seria filho de Gerontius, um oficial romano da ilustre família senatorial dos Anícios, e Pollycronia, uma súdita romana de Lydda, atual Lod, em Israel, então situada na província romana da Síria Palestina. Segundo outro relato, Gerontius seria natural da Capadócia. De qualquer modo, as fontes acordam que Jorge cresceu em Lydda e que sua família era cristã.

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(Mosaico romano encontrado em Lod, antiga Lydda, em Israel)

Seguindo a carreira do pai, Jorge se alistou na guarda imperial, servindo na corte de Diocleciano em Nicomédia, que havia sido elevada pelo imperador à condição de capital imperial, no recém-criado sistema da Tetrarquia.

Jorge acabou sendo promovido ao posto de Tribuno. Quando Diocleciano publicou seu Édito exigindo que os soldados cristãos renunciassem ao cristianismo, Jorge anunciou publicamente, perante as tropas formadas na presença do Imperador, sua devoção a Jesus Cristo.

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O Imperador, que apreciava Jorge e seu falecido pai Gerontius, tentou convencer Jorge a abandonar sua fé oferecendo terras, dinheiro e escravos, mas ele se manteve irredutível.

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(Panorama de Izmit, antiga Nicomédia, na Turquia)

Sem alternativas e obrigado a manter a obediência ao seu Edito, Diocleciano ordenou que Jorge fosse torturado em uma roda de afiadas espadas. Após o suplício, Jorge foi decapitado em frente às muralhas de Nicomédia, em 23 de abril de 303 D.C. O corpo dele foi levado para Lydda e logo se tornou foco de devoção como relíquia de um mártir cristão. Ainda segundo a tradição, a imperatriz Alexandra, esposa de Diocleciano, ao assistir o martírio de Jorge, converteu-se ao cristianismo, motivo pelo qual também foi executada e, posteriormente, canonizada.

A posterior associação de São Jorge ao dragão parece ter sido recolhida e trazida à Europa pelos cruzados no Oriente Médio (algumas populações islamizadas mantiveram a veneração à São Jorge na região). Segundo a lenda, na cidade de Sylene (que poderia ser Cirene, na Líbia ou, segundo alguns, seria a própria Lydda), um dragão (ou, provavelmente, um crocodilo) viveria na fonte de água potável dos habitantes, que eram obrigados a oferecer ao monstro uma ovelha para sacrifício, até que, na falta dos animais, eles foram forçados a oferecer uma virgem. A donzela orou pedindo proteção e São Jorge apareceu e matou o dragão, motivo pelo qual todos os habitantes se converteram ao cristianismo.

 

St. George and the Dragon
 

Jorge foi canonizado pelo Papa Gelásio I, em 494 D.C. Embora o santo fosse conhecido no Ocidente, sua popularidade chegou ao ápice com o retorno dos cruzados, que atribuíram à intervenção de São Jorge várias vitórias na Terra Santa. São Jorge acabou virando o santo patrono da Inglaterra, de Portugal, da Geórgia, da Romênia e de Malta. A imagem de São Jorge matando o dragão também compõe a Cota de Armas da Federação Russa.

 

Coat_of_Arms_of_the_Russian_Federation.svg

 

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