EUDÓCIA – MULHER, ATENIENSE E IMPERATRIZ

Eudócia

(Mosaico da Catedral Alexander Nevsky, em Sófia, Bulgária, retratando Eudócia, foto de Elena Chochkova )

 

Em 7 de junho de 421 D.C, o jovem Imperador Teodósio II, casou-se com a sua belíssima noiva, Élia Eudócia.  O imperador,  quando ainda tinha apenas 7 anos de idade, havia sucedido a seu pai, Honório,  no trono do Império Romano do Oriente, em 408 D.C.

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(Cabeça de Teodósio II)

A jovem imperatriz escolheu o nome de Élia Eudócia (Aelia Eudocia), certamente para homenagear a falecida mãe do imperador de Teodósio II (que se chamava Élia Eudóxia, uma cristã muito devota), mas, não menos importante, para marcar sua conversão ao cristianismo.

Nascida em Atenas, o verdadeiro nome de Eudócia era Athenais,  nome que foi escolhido pelo pai dela em honra à divindade protetora da cidade, a deusa Palas Atena. Athenais era filha de um filósofo chamado Leontius, um professor de retórica na célebre Academia, aonde vinham estudar ou ensinar, ainda no final do século V, estudantes ou intelectuais de todo o mundo mediterrâneo (Vale citar que, não obstante ela ser de Atenas, há indícios de que parte da  sua linhagem, paterna ou materna  era originária da grande cidade de Antióquia).

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(Caminho que levava até a Academia de Atenas, foto de Tomisti )

Quando a mãe de Athenais morreu,  ela, com a idade de apenas 12 anos, ficou não apenas encarregada de criar os seus irmãos, mas teve ainda que assumir também a direção dos negócios e da casa de seu rico pai,  a qual ficava situada na própria Acrópole!

Leontius, agradecido, ensinou à Athenais os fundamentos da Retórica, da Filosofia e da Literatura Gregas, e  a menina, que demonstrava ter memória excepcional, aprendeu a poesia completa de Homero e de Píndaro. Athenais, assim, cresceu mergulhada na cultura clássica, no centro intelectual do Helenismo, em um dos últimos redutos da tradicional religião pagã.

Porém, em 420 D.C, Leontius morreu e, para o desalento de Athenais,  ele deixou todos os seus bens para Gessius e Valerius, que eram os filhos homens, recebendo a injustiçada irmã, a título de legado, apenas 100 moedas de ouro, constando do testamento, a seguinte afirmação do agora finado pai:

O suficiente para Athenais é o seu destino, que será maior do que o de qualquer outra mulher”.

Athenais, ante a insensibilidade dos irmãos, que se recusaram a lhe dar maior quinhão na herança, foi viver com uma tia, a qual lhe aconselhou a “ir para Constantinopla, para pedir justiça ao Imperador”.

A comovente história de Athenais já estava circulando nas cidades da Grécia, e, quando ela chegou à Constantinopla, acabou levada à presença da imperatriz Pulquéria, a influente irmã de Teodósio II.

Sendo a irmã mais velha do impeador, Pulquéria, também ela uma cristã devota, tomou para si a tarefa de cuidar e educar o menino Teodósio II, quando ele ascendeu ao trono, motivo pelo qual ela fez até um voto de castidade.

Após o afastamento do Prefeito Pretoriano Antêmio, homem-forte no início do reinado de Teodósio II (foi ele quem mandou construir as poderosas muralhas de Constantinopla), Pulquéria tornou-se a pessoa mais influente da Corte, possuindo forte ascendência sobre o irmão.

Em um relato meio ao estilo de Cinderela, uma fonte conta que, no momento em que Athenais chegou à Constantinopla, Teodósio II estava querendo se casar. Quando, na audiência em que Athenais expunha o seu caso da herança, Pulquéria colocou os olhos na jovem,  ficou impressionada com a beleza dela e, mais ainda, com o talento e eloquência com a qual a moça apresentou o seu pleito. Em vista disso, Pulquéria teria dito a Teodósio II:

Encontrei uma jovem, uma donzela grega, muito bonita, pura e refinada, e além disso, eloquente! A filha de um filósofo!”.

Exagerado ou não o relato, o fato é que, pouco tempo depois da chegada de Athenais à Constantinopla, Teodósio II casou-se com ela, no dia 7 de junho de 421 D.C., e, como parte das celebrações, foram oferecidas ao povo da capital várias corridas de quadrigas no Hipódromo.

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(Tremissis, moeda de Aelia Eudocia Augusta, foto de beastcoins.com)

 

Athenais adotou o nome de Élia Eudócia  e se converteu ao Cristianismo.

E a jovem imperatriz logo demonstraria que sabia praticar a virtude cristã do perdão, uma vez que os seus irmãos, Géssio e Valério, foram chamados para comparecerem a Constantinopla, onde foram nomeados , respectivamente, para os importantes cargos de Prefeito da Ilíria e Magister Officiorum, equivalente ao de Ministro.

Eudócia deu à luz, em 422 D.C, a uma menina chamada Licínia Eudóxia, que, futuramente, seria esposa do Imperador Romano do Ocidente, Valentiniano III. Durante o casamento, Eudócia e Teodósio II ainda gerariam mais dois filhos, que morreram ainda crianças.

No ano seguinte, Eudócia recebeu o título de Augusta (Imperatriz), assumindo, assim, estatura igual a de Pulquéria, com quem passou, de fato, a disputar a influência sobre Teodósio II.  Com o passar do tempo, as duas cunhadas cada vez mais se tornariam rivais.

Um dos campos onde a rivalidade entre as duas Augustas se desenvolveu foram as questões religiosas. Ambas mostravam-se devotas, interessadas nas disputas teológicas e patrocinavam a construção de igrejas.

Porém, enquanto Pulquéria apresentava-se mais ortodoxa, especialmente contra a heresia nestoriana e, também,  demonstrava hostilidade aos judeus, Eudócia mostrava-se conciliadora em relação ao judaísmo, e tolerante em relação às religiões pagãs, inclusive tentando protegê-las das perseguições.

Entre 438 D.C e 439 D.C, Eudócia fez uma famosa peregrinação a Jerusalém e à Terra Santa, de onde trouxe as relíquias de Santo Estevão, para as quais mandou construir uma basílica.

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(Basílica de Santo Estevão em Jerusalém, construída no terreno da igreja originalmente construída por Eudócia, foto de RonAlmog )

Nessa época, em momento anterior ou posterior à viagem à Terra Santa, as relações entre Eudócia e seu esposo Teodósio II começaram a se deteriorar, culminando com o exílio dela de Constantinopla,  de 442 D.C. Segundo algumas fontes, a causa do exílio foi uma acusação de adultério que ela teria cometido com um amigo do imperador.

Eudócia voltou para Jerusalém, onde ela passou o resto de sua vida, vindo a falecer em 20 de outubro de 460 D.C, sendo enterrada na mesma Basílica de Santo Estevão que ela havia construído.

Durante o tempo que passou em Jerusalém, Eudócia escreveu uma uma volumosa obra poética na qual compôs versos em hexâmetros ao estilo clássico grego, combinando temas homéricos e bíblicos.

 Conclusão

Eudócia foi sem dúvida uma grande e fascinante mulher tanto por ter se destacado pelos méritos literários, em uma sociedade misógina e patriarcal, como por ter sido uma das últimas representantes da civilização helenística que sucumbia face ao novo mundo cristão-ortodoxo, um mundo no qual ela também conseguiu ser uma personalidade destacada.

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LÍVIA DRUSILA – ESPOSA, MÃE, AVÓ E BISAVÓ DE IMPERADORES ROMANOS

LÍVIA DRUSILA (JÚLIA AUGUSTA) – ESPOSA, MÃE, AVÓ E BISAVÓ DE IMPERADORES

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Em 30 de janeiro de 58 A.C., nasce, em Roma, Livia Drusilla (Lívia), filha do senador romano Marco Lívio Druso Claudiano e de sua esposa Aufídia.

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O nome de nascença do pai de Lívia era Ápio Cláudio Pulcher, mas, por circunstâncias cujo conhecimento se perdeu, ele foi adotado pelo Tribuno da Plebe Marco Lívio Druso, recebendo, assim, o nome do pai adotivo, adicionado do cognome “Claudiano”, para indicar sua ascendência sanguínea.  Lívia  e seu  pai, portanto, eram, segundo Suetônio, descendentes diretos do célebre Cônsul, Censor e Ditador da República Romana, Ápio Cláudio Ceco, que, entre outros feitos, construiu a Via Ápia, em 312 A.C. sendo integrantes de uma das mais ilustres famílias da aristocracia romana.

Já a mãe de Lívia, Aufidia, era filha de Aufídio Lurco, originário de uma família plebéia da cidade latina de Fundi, mas que conseguiu ser eleito Tribuno da Plebe em 61 A.C. Como curiosidade, consta que Aufídio foi o primeiro a criar e vender pavões para abate, enriquecendo em função disso (a carne de pavão,  sobretudo as línguas dessa ave, tinham se tornado uma iguaria da alta gastronomia romana).

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Aproximadamente entre 43 A.C e 42 A.C, Lívia casou-se com seu primo Tibério Cláudio Nero, que havia servido como questor e lutado ao lado de Júlio César. O casal, logo em 42 A.C, teve um filho, que recebeu o mesmo nome do pai e que futuramente se tornaria o segundo imperador romano, Tibério.

Contudo, durante a Guerra Civil que se seguiu ao assassinato de Júlio César, tanto Marco Lívio Druso quanto Tibério (pai) escolheram o lado de Bruto e Cássio, os líderes da conspiração senatorial para assassinar o Ditador. O pai de Lívia chegou a lutar na Batalha de Fílipos e também cometeu suicídio quanto as tropas dos “Libertadores” foram derrotadas pelas forças de Marco Antônio e Otaviano, que se tornaria mais tarde o futuro imperador Augusto.

Quando começaram as perseguições políticas, proscrições e confiscos movidos pelos Triúnviros Antônio, Otaviano e Lépido contra os inimigos políticos do Segundo Triunvirato, Tibério e Lìvia, carregando o bebê Tibério com apenas 2 anos, tiveram que fugir de Roma, em 40 A.C., indo se juntar a Sexto Pompeu, na Sicília, que prosseguia a guerra movida pelos partidários da supremacia nobreza senatorial contra o Triunvirato. Após assinarem uma trégua com Sexto Pompeu, os Triúnviros resolveram anistiar os opositores, e Lívia e seu marido puderam voltar para a Roma, em 39 A.C.

Foi naquele ano de 39 A.C, já em Roma, que a jovem matrona Lívia, em algum evento social, foi apresentada a Otaviano, o Triúnviro e herdeiro de César. Ela tinha apenas 18 anos de idade, mas já estava grávida do segundo filho, que se chamaria Druso. Por sua vez, o jovem Otaviano, que tinha somente 24 anos, já estava no segundo casamento, com Escribônia, cinco anos mais velha do que ele e também grávida da única descendente que ele teria durante toda a sua vida, a sua filha Júlia, “a Velha” (assim chamada para distingui-la de outras homônimas posteriores. Cuidado para não confundi-la, com outra Júlia, filha de César). O casamento de Otaviano e Escribônia decorreu de um arranjo político entre o Segundo Triunvirato e Sexto Pompeu, pois Escribônia era irmã da esposa do segundo.

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Segundo as fontes, Otaviano se apaixonou à primeira vista por Lívia, cujos retratos existentes de fato denotam uma beleza suave e serena, além de porte aristocrático. Pouco depois, ainda em 39 A.C, Otaviano se divorciaria de Escribônia. Apesar deste ser um casamento arranjado, não deve ter deixado de causar algum rebuliço na sociedade romana o fato de o divórcio ter sido oficializado no mesmo dia em que Escribônia deu a luz à Júlia (30 de outubro de 39 A.C.)!

 

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(Busto de Júlia, “a Velha”, filha de Otaviano (Augusto) e Escribônia, foto de Miguel Hermoso Cuesta)

Imediatamente, Tibério Cláudio Nero foi “convencido” a se divorciar de Lívia, não se sabendo, entretanto, de nenhuma reclamação da parte de ambos. Com efeito, Tibério aceitou o fato com resignação e até deve ter vislumbrado a possibilidade de futuras vantagens. Por sua vez, também é muito provável que Lívia tenha se sentido também atraída por Otaviano, afinal, ele tinha quase a metade da idade de Tibério (46 anos), tinha boa aparência e já era, juntamente com seu colega de Triunvirato, Marco Antônio, o homem mais poderoso de Roma. Lívia estava então grávida de seis meses de Druso. Além da paixão que os relatos dizem que Otaviano sentia por Lívia, a escolha dele também deve ter levado em consideração o prestígio da gens Cláudia, uma das famílias patrícias mais tradicionais de Roma.

Há uma tese, inclusive baseada em indícios de problemas de saúde aparentemente hereditários, de que Druso na verdade poderia ser filho de Augusto (Otaviano), fato que teria sido convenientemente ocultado para não comprometer a reputação de homem de conduta moral ilibada que Augusto sempre prezou,  a qual seria passível de ser manchada pelo adultério de Lívia.

Em 17 de janeiro de 38 A.C, três dias após o nascimento de Druso, Otaviano e Lívia se casaram. O casamento duraria 51 anos, até a morte de Otaviano, já chamado de Augusto, em 14 D.C. Lívia somente ficou grávida uma vez de Augusto, mas a criança nasceu prematura e não resistiu ao parto. Eles nunca mais tiveram outros filhos.

Em uma sociedade extremamente patriarcal como Roma, Lívia conseguiu ser influente e ter voz nos assuntos de Estado, servindo virtualmente como conselheira privada de Augusto. Em 35 A.C, ela recebeu o incomum direito de administrar o próprio vasto patrimônio sem necessidade de um tutor ou de concordância do marido (outorga uxória). Lívia teve estátuas erguidas e moedas cunhadas em sua homenagem, uma honra até então exclusiva do sexo masculino.

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(Dupondius (moeda romana), de Lívia)

Politicamente, Lívia representou a síntese das virtudes matronais que Augusto pretendeu fomentar na sociedade romana, já que ela era, reconhecidamente, uma mulher de dignidade e castidade lendárias (vale dizer que os historiadores do reinado de Augusto, como Suetônio, pródigos em relatos da vida sexual do círculo imperial, nada relataram, nesse sentido, quanto à Lívia).

Da mesma forma, Lívia sabia a importância que seu papel de esposa-modelo tinha no Principado inaugurado por Augusto: Consta que, certa vez, perguntada sobre o que tinha feito para ter tamanha e decisiva influência sobre o Imperador, ela teria respondido, com perspicácia e até certo sarcasmo:

“Que isso era devido ao fato de ser ela mesmo escrupulosamente casta, fazendo qualquer coisa que fosse motivo de agrado para ele; não se metendo em seus assuntos; e, em particular, por não ouvir e não notar nada acerca das favoritas que foram objeto das paixões dele”.

Apesar de interpretar publicamente o seu papel de boa esposa com maestria, parece unânime que Lívia manobrou, com sucesso, para tornar seu filho Tibério  o herdeiro e sucessor de Augusto. Nesse ponto, a biografia de Lívia torna-se um tanto sombria, quase como uma espécie de “Madastra Má”. Muitos historiadores atribuem-lhe o exílio do neto de Augusto, Agripa Póstumo, e as mortes do sobrinho e de outros 2 netos dele e potenciais herdeiros: Marcelo, Caio César e Lúcio César, que estavam no caminho de Tibério para o Trono e morreram todos jovens.

Quando Augusto morreu e seu filho adotivo Tibério sucedeu-o, houve rumores de que Lívia teria envenenado o velho imperador, mas é muito mais provável que Augusto tenha morrido de velhice.

Lívia, que passou a ser  oficialmente chamada de “Júlia Augusta”, durante um bom tempo foi tratada pela opinião pública como co-governante e igual a Tibério, o que muito desagradou o novo imperador, que retirou algumas das prerrogativas que o Senado quis conceder a ela. Devido a isso e às seguidas interferências de Lívia no governo que se iniciava, Tibério, progressivamente, afastou-se da mãe, que agia como uma poderosa “dowager” (expressão inglesa que significa a rainha-mãe ou imperatriz viúva que permanece com influência no reino).

Como se não bastasse tudo isso, Lívia, no começo do reinado, foi acusada de mandar envenenar o adorado general Germânico, sobrinho de Tibério que Augusto exigiu que fosse adotado por aquele como sucessor. Germânico morreu no ano de 19 D.C e houve um inquérito que resultou na prisão do governador da Síria, Pisão, como principal suspeito. Tácito inclina-se pela tese de que a morte de Pisão, que alegadamente teria se suicidado no cárcere, enquanto aguardava o seu julgamento, teria sido uma conveniente queima de arquivo, e o historiador parece dar crédito à versão de que a morte de Germânico foi tramada por Lívia.

Em 28 de setembro de 29 D.C, Lívia Drusila morreu com a avançada idade de 87 anos. Consta que Tibério, que então vivia  afastado da Corte em sua fabulosa  Villa Jovis, em Capri, não foi ao velório da mãe, embora a cremação tenha sido retardada vários dias pelos cortesãos que esperavam a sua chegada, até que a decomposição natural do cadáver obrigou aos responsáveis pelo funeral a acender a pira. Além disso, Tibério não permitiu que diversas honras públicas e homenagens fossem conferidas à mãe. Foi somente no reinado do imperador Cláudio, neto de Lívia, que as honras dela foram restauradas, e realizada a sua deificação, em 42 D.C.

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(Estátua de Lívia, trazendo a cornucópia da abundância, provavelmente ligada ao seu culto)

Mostra a impressionante trajetória de Lívia, o fato de que, quando ela nasceu, Júlio César ainda não tinha conquistado a Gália e a República Romana ainda era um regime comandado pelo Senado e pelos magistrados eleitos. Ela foi esposa do primeiro imperador, mãe do segundo, bisavó do terceiro, avó do quarto (Cláudio, que a deificou) e tataravó do quinto e último imperador da dinastia dos Júlio-Cláudios (Nero), uma dinastia que poderia muito bem ser chamada de “Liviana”…

Seu bisneto, Calígula, referia-se a Lívia como “Odisseu de saias“, comparando-a ao mitológico herói Ulisses, em termos de astúcia e dissimulação.