A BATALHA DE FÍLIPOS

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Entre 323 de outubro de 42 A.C., foi travada a Batalha de Fí­lipos, na Macedônia, que terminou com a vitória das tropas lideradas pelos triúnviros Marco Antônio e Otaviano contra o exército leal aos conspiradores e assassinos de Júlio César, Bruto e Cássio, que se suicidaram, um durante e outro após os combates, que se deram em duas fases.

ANTECEDENTES

Marcus Junius Brutus (o Bruto do “Até tu, Brutus“) e Gaius Cassius Longinus (Cássio) foram os líderes da conspiração de senadores conservadores que, em 15 de março de 44 A.C., assassinou César, que havia sido nomeado Ditador Perpétuo pelo Senado Romano no mês anterior. Essa conspiração teve amplo apoio entre os senadores integrantes da facção dos Optimates,, que comungavam da opinião de que César tencionava acabar com a República e tornar-se Rei de Roma. Por isso, os conspiradores acreditavam que teriam, senão o apoio popular, ao menos a sua indiferença ao que denominaram de “tiranicí­dio” de César, um fato que além de não ser considerado crime de acordo com a importada cultura polí­tica das polis gregas,  seria um ato obrigatório para todos cidadãos amantes da liberdade.

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(Quadro La Mort de César by Jean Léon Gérôme, c. 1859–1867)

A plebe romana, contudo, há muito tempo estava descrente do tipo de “democracia” existente na República Romana, na qual o acesso às magistraturas (cargos públicos) dependia, na prática, de nascimento ilustre e,  obrigatoriamente, de muito, mas muito dinheiro. Assim, ao contrário da reação esperada pelos conspiradores, a massa indignou-se com o assassinato de seu amado ditador. Ficariam célebres as passagens da magistral peça de Shakespeare “Júlio César” , quando o discurso de Antônio inflama a turba, e, embora algumas das maravilhosas cenas e diálogos decorram do gênio do bardo inglês, a maior parte das situações foi extraí­da dos textos históricos.

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O fato é que a República Romana, há décadas, era, na realidade, um regime onde aristocratas romanos se digladiavam para usufruir de privilégios e de oportunidades de enriquecimento, não raramente chegando ao poder através da força militar obtida com o recrutamento de legiões compostas de trabalhadores empobrecidos, cujos soldados eram mais fiéis ao general que lhes havia recrutado do que ao Estado Romano.

E, embora Roma já dominasse o mundo mediterrâneo, controlando proví­ncias na Espanha, Gália, Grécia, Norte da África, etc., não havia regras na constituição polí­tica romana, que havia sido feita para reger uma Cidade-Estado, que previssem a representatividade dos súditos que não fossem italianos. Assim, as sucessivas crises terminavam em guerras entre as facções, que apelavam aos generais à testa das legiões em campanha, como última alternativa para implementar suas plataformas.

Vivenciando tudo isso, e, como integrante da facção dos Populares, César compreendeu que o Governo de Roma tinha que levar em conta os interesses da plebe de Roma e integrar os provinciais na administração da República. Não é a toa que, no volume sobre “Roma e os Romanos”, da coleção “Rumos do Mundo”, da escola dos Annales, a respeito do assassinato de César, está escrito que  “Roma marchava para a unidade. A punhalada em César apunhalou a unidade“.

Antônio, o braço-direito de César que tinha sido nomeado Tribuno da Plebe, efetivamente conseguiu catalisar a comoção popular pelo homicí­dio em favor dos partidários do ditador assassinado. Entretanto, para a sua decepção, o herdeiro polí­tico do falecido ditador, adotado como filho em seu testamento, foi o sobrinho-neto dele, Caio Otávio, que, após a adoção, foi “rebatizado” como “Caio Júlio César Otaviano“. Não obstante, Marco Antônio, que naquele momento era o homem mais poderoso militarmente no Império, tentou entrar em acordo com o Senado, para legitimar a sua posição .

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Assim, devido ao clamor popular, os “tiranicidasCássio e Bruto tiveram que deixar Roma, mas, inicialmente, eles não foram detidos, e nem perseguidos.

Antônio também enviou outro partidário de César, Marco Emí­lio Lépido, então governador da Gália Narbonense, para a Espanha, para conter as ações de outro aliado dos conspiradores, Sexto Pompeu, filho do falecido rival de César pelo poder supremo, Pompeu, o Grande, que estava instalado na Sicília.

Naquele ano de 43 A.C, a muitos parecia que Antônio iria conseguir a supremacia política, porém Bruto e Cássio, que agora se autodenominavam “Os Libertadores“, conseguiram chegar à Macedônia, onde eles ganharam o apoio das legiões estacionadas naquela proví­ncia e, valendo-se delas, dominaram o resto da Ásia Menor. Em contrapartida, milhares de soldados veteranos das campanhas de César ofereceram a sua lealdade a Otaviano.

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Aproveitando-se da súbita situação de fraqueza de Antônio, o Senado, que sempre fora hostil a ele, sob a liderança deo prestigiado senador Cícero, passou a apoiar Otaviano. Assim, quando Antônio marchou para combater um dos assassinos de César, Décimo Bruto (ele teria sido o agressor que deu a última facada no Ditador), que era governador da Gália Cisalpina, sitiando-o em Mutina (a atual Modena) o Senado enviou os cônsules Hí­rtio e Pansa e os seus exércitos consulares para auxiliar Décimo Bruto. E  Otaviano, que tinha apenas 19 anos de idade, usando dinheiro de suas economias pessoais, reuniu a sua própria tropa de veteranos de César e também se dirigiu à Mutina, como aliado do Senado contra Antônio.

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Seguiu-se uma série de combates acirrados, em que ora as tropas senatoriais, ora as de Antônio levaram vantagem. Porém, nas refregas, os dois cônsules acabaram morrendo em virtude dos ferimentos recebidos em combate. Por sua vez, o acampamento de Antônio quase foi capturado pelos inimigos. Assim, Antônio acabou tendo que levantar o cerco à Mutina, e isso possibilitou a Décimo e suas tropas escaparem.

Segundo o relato das fontes, quando conseguiu cruzar o rio que margeava o campo da batalha, Décimo chegou a acenar para Otaviano e suas tropas, em sinal de agradecimento. Otaviano, contudo, percebendo que o fato poderia manchar sua reputação perante os veteranos de César que o apoiavam, fez questão de declarar que ele “tinha vindo à Mutina lutar contra Antônio, e não para ajudar os assassinos do seu pai adotivo”…

A sorte de Décimo Bruto contudo não durou muito. Confirmado pelo Senado no comando da Gália Cisalpina,  as tropas dele, entretanto, desertaram para se juntar a Otaviano e ele teve que fugir em direção à Macedônia, numa tentativa de se juntar a Cássio e Bruto. Porém, no caminho, ele foi assassinado por um chefe gaulês que era simpático a Antônio.

Entretanto, Otaviano, ao invés de perseguir e dar combate a Antônio, voltou para Roma, agora à  frente de um poderoso exército. A situação polí­tica instável entre os “cesaristas” somente alcançaria certo equilí­brio quando Antônio, Otaviano e Lépido se encontraram próximo à cidade de Bolonha, e “reorganizaram” o Estado Romano, dividindo o controle do governo e as proví­ncias ocidentais entre si, com o estabelecimento de um “Triunvirato para Confirmação da República com Poder Consular” ( Triumviri Rei Publicae Constituendae Consulari Potestate), formalmente instituído pela Lei Títia, de 43 A.C, arranjo que passaria à História com o nome de “Segundo Triunvirato“).

 

PRELÚDIO DA BATALHA

Restava dar cabo à tarefa de ajustar as contas com os “LibertadoresBruto e Cássio no Oriente. Os dois, enquanto se desenrolavam as disputas entre os “Cesaristas” , e entre eles e os partidários do Senado, aproveitaram para acumular o máximo de recursos e tropas na região, pilhando boa parte da Lí­cia, não sem antes pedirem muitas desculpas aos infelizes moradores. Cássio inclusive sitiou e saqueou a rica cidade insular de Rodes.

Enquanto isso, as forças de Antônio e Otaviano, num total de 28 legiões, se dirigiram para a Macedônia, enquanto Lépido ficou encarregado de defender a Itália. Os “Cesaristas” contavam com suprimentos que seriam enviados pela frota de Cléopatra, armada esta que, porém, sofreria um grande naufrágio.

Marchando pela Via Egnatia, a importante estrada construí­da pelos romanos, um século antes, para ligar a Ilí­ria a Trácia, cruzando terreno muitas vezes difí­cil e montanhoso, um destacamento de oito legiões enviado pelos Triúnviros para explorar o terreno acampou próximo a cidade de Fí­lipos. entrincheirando-se em uma passagem estreita entre as montanhas. Otaviano, doente, ficara na cidade de Dirráquio, onde a marcha se iniciara.

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Ocorre que, detendo a superioridade naval, os “Libertadores” conseguiram desembarcar as suas tropas na retaguarda das legiões “cesaristas”, acampadas na estrada montanhosa, as quais,  porém, alertadas por um chefe trácio amigo, conseguiram retroceder para a cidade de Anfí­polis, antes delas serem cercadas pelos inimigos em maior número.

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Então, as legiões dos “Libertadores“,  em um total de 17 legiões, em uma reviravolta da situação, decidiram entrincheirar-se em posições defensivas ao longo da Via Egnatia, mostrando que a estratégia deles, agora, era fazer um bloqueio naval que impedisse o reabastecimento das legiões de Antônio e Otaviano, valendo-se da sua superioridade naval, que era assegurada pela frota de 130 galeras comandadas por Gnaeus Domitius Ahenobarbus, bem superior a dos “Cesaristas”, principalmente após o naufrágio da frota de Cleópatra.

Porém, uma das grandes preocupações que afligia os “Libertadores” era quanto á lealdade de suas tropas, pois muitos dos seus soldados eram veteranos das campanhas de César. Por sua vez, Antônio e Otaviano, após o retorno do destacamento de 8 legiões, tinham agora 19 legiões para alimentar e, por isso, eles sentiam a necessidade premente de forçar um combate decisivo, devido à pressão sobre o seu estoque de suprimentos, bloqueados pela frota inimiga.

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Bruto e Cássio ocupavam, cada um,  o seu acampamento em uma parte plana da estrada, protegida por montanhas e, em uma parte, por pântanos, reforçada por paliçadas e fossos. Além disso, essa área tinha acesso a um golfo onde as suas galeras podiam ancorar, além de ser servida por um rio, que provia o abastecimento de água. Forçado a agir, Antônio foi ousado e engenhoso e, disfarçadamente, oculto pela vegetação, ele mandou construir uma passagem através do pântano,  sem que as forças de Cássio percebessem, no que estava sendo bem sucedido até seus homens serem descobertos pelos inimigos. Cássio, então, ordenou que as suas tropas também construíssem a sua própria passarela suspensa sobre o pântano, visando interceptar o caminho construí­do a mando de Antônio.

 PRIMEIRA BATALHA

Em 3 de outubro de 42 A.C., Antônio ordenou um ataque contra o acampamento de Cássio, e suas tropas conseguiram, com o auxí­lio de escadas e mediante o aterramento do fosso e trabalho de sapa, penetrar na paliçada inimiga e tomar o acampamento dele. Enquanto isso, as tropas de Bruto, vendo toda essa movimentação, perceberam uma oportunidade e, sem esperar ordens do seu comandante, elas atacaram o flanco exposto das forças de Antônio, causando pânico na sua retaguarda e alcançando o acampamento de Otaviano, chegando até a capturar a tenda deste, além de  três estandartes.

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Mais tarde, Otaviano escreveria que somente conseguiu escapar desse ataque porque ele havia sido alertado do perigo em um sonho. Segundo Plí­nio, o Velho, contudo, Otaviano, na verdade, teve que se esconder no pântano, para evitar a própria captura… Certamente, esse combate foi muito confuso, em virtude do terreno e da péssima visibilidade, sem falar no fato de que não havia muito como distinguir as tropas amigas das inimigas, dada a similaridade de uniformes, escudos e estandartes.

No final da luta, ambos os exércitos voltaram para as posições anteriormente ocupadas, sendo certo, todavia, que os “Libertadores” perderam uma grande oportunidade de liquidar os “Cesaristas”, muito devido ao fato das suas tropas terem parecido, na ocasião, mais interessadas em pilhar e saquear o acampamento inimigo do que em lutar uma batalha decisiva…

Otaviano perdeu cerca de 16 mil soldados e  Cássio, a metade disso. Assim, ao menos numericamente, os “Libertadores” levaram vantagem, pois reduziram a inferioridade numérica que seu exército tinha em relação às forças do Triunvirato. Por outro lado,  eles jogaram fora a chance de derrotar completamente Otaviano, que conseguiu escapar.

O SUICÍDIO DE CÁSSIO

Por motivos controversos até hoje, nesse mesmo dia 3 de outubro, Cássio cometeu suicí­dio,  ajudado por um escravo, muito embora  o resultado da batalha tenha sido indeciso, sem que nenhum lado pudesse celebrar vitória ou lamentar a derrota.

Entre os prováveis motivos para esse ato extremo, especula-se que Cássio, após ver o seu próprio acampamento ser capturado, confundiu-se ao ver as tropas de Bruto capturaram o acampamento de Antônio e, equivocadamente, pensou que o contrário tinha acontecido, ou seja, que tinha sido o seu colega quem havia sido derrotado.

Outra teoria, esposada por alguns historiadores antigos, é que, na verdade, Cássio teria sido assassinado por seu escravo doméstico, que simulou a cena para parecer suicí­dio.

Quando soube que Cássio havia se suicidado, Bruto, chocado, velou o corpo do colega, a quem ele teria chamado, na ocasião, de “O último dos Romanos“.

Porém, um fato reanimaria as esperanças de Bruto, pois, naquele mesmo dia, a frota dos “Libertadores” conseguiu interceptar e destruir vários navios que transportavam reforços para os Triúnviros.

Claramente, agora, a melhor estratégia para Bruto era continuar a guerra de atrito entrincheirando-se em posições defensivamente seguras,  já que ele dispunha de mais suprimentos, e, também, de superioridade numérica, pois as perdas de Otaviano tinham sido bem maiores na recente batalha. Todavia, Bruto, ao contrário de Cássio, não tinha muito prestí­gio militar, e as suas tropas, estimuladas pela quase vitória no dia 3 de outubro, ansiavam por um engajamento decisivo, ainda mais porque os Triúnviros, sabendo que o tempo corria contra eles, mandaram seus homens, diariamente, irem até a paliçada adversária e provocarem os inimigos.

SEGUNDA BATALHA

Uma oportunidade apareceu quando uma colina próxima ao acampamento das legiões do finado Cássio foi evacuada por Bruto, por acreditar que aquela elevação, por estar ao alcance das flechas dos seus arqueiros, não interessaria às forças de Antônio e Otaviano tomarem. Antônio, todavia, prontamente mandou que quatro de suas legiões ocupassem a posição, a partir da qual,  ele mandou construir vários postos fortificados na direção sul até o mar, possibilitando, através dos pântanos, uma nova tentativa de flanqueamento do acampamento de Bruto, que, premido por essa ameaça, teve que construir também os seus bastiões nos pontos vulneráveis.

Entretanto, o moral das tropas de Bruto começou a se deteriorar em função da prolongada inatividade e, sentindo isso, os seus generais começaram a pressioná-lo para que  os soldados se engajassem em uma batalha campal definitiva, a despeito da superioridade tática e estratégica de que eles gozavam no momento. Na verdade, vários legionários aliados já estavam até começando a desertar. Nesse momento, consta que Bruto, que, embora inexperiente, estava certo em evitar o combate em escala total, cedendo, teria dito:

“Parece que eu, como Pompeu, o Grande (em Farsália), agora faço a guerra mais sendo comandado do que comandando”.

Assim, no dia 23 de outubro de 42 A.C., Bruto ordenou que suas tropas se apresentem em formação de combate para a batalha campal, como tanto esperavam Antônio e Otaviano, que aceitaram prontamente o desafio.

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Foi uma batalha ao antigo estilo grego, como entre duas linhas de falanges. Não houve sequer a tradicional chuva de dardos com as quais as legiões iniciavam o ataque: Ambas as linhas avançaram frontalmente uma contra a outra, com as espadas desembainhadas. Então, os veteranos cascudos de César que lutavam por Otaviano foram gradualmente empurrando a infantaria de Bruto para trás, como se, na descrição do historiador romano Apiano, estivessem “girando a manivela de alguma máquina“.

Consta que, durante a batalha, e inseguro com o seu desfecho, Otaviano fez a promessa de, caso fosse vitorioso, construir um templo em honra ao deus Marte.

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No iní­cio, as tropas de Bruto foram recuando em boa ordem, mas, paulatinamente, buracos foram aparecendo nas fileiras e as linhas foram se misturando. Com a confusão instalada, não demorou a ocorrer uma debandada geral das tropas dos “Libertadores“. As legiões de Otaviano se dirigiram, então, para os portões do acampamento fortificado de Bruto, antes que os soldados fugitivos deste lá conseguissem chegar, apesar deles serem atacados pelos soldados inimigos que guardavam os muros.

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Bruto, por sua vez, conseguiu fugir com cerca de quatro legiões para as montanhas. Ele esperava retornar para o acampamento, mas o seu exército estava muito desmoralizado para tentar romper o cerco que as forças de Otaviano agora faziam em volta de sua praça-forte. Sem alternativa, Bruto resolveu também cometer suicí­dio, matando-se para evitar a captura pelos inimigos. Pouco tempo depois, ao ver o corpo do adversário caído, Antônio cobriu-o com um manto púrpura, em sinal de respeito.

CONCLUSÃO

Após a Batalha de Fí­lipos, o Senado perdeu qualquer esperança de retomar a proeminência no governo de Roma. O cenário estava armado para a luta que, dali a cinco anos, e após Lépido ser destituí­do por Otaviano, seria travada entre o herdeiro de César e Antônio para decidir quem seria o senhor absoluto da “Respublica Romana“.

Otaviano, depois de derrotar as forças de Antônio e Cleópatra, em 31 A.C, e tornar-se o primeiro imperador romano, com o tí­tulo politicamente mais palatável de “Princeps” (“Primeiro Cidadão”), cumpriria sua promessa ao Deus da Guerra feita em Fílipos e construiria, no planejado Fórum que levaria o seu nome, em Roma, o Templo de Mars Ultor (“Marte Vingador” de César), cujas ruí­nas ainda podem ser vistas na Via dei Fori Imperiali.

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DE OTAVIANO A AUGUSTO

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Em 16 de janeiro de 27 A.C, o Senado Romano conferiu a Otaviano (Gaius Julius Caesar Otavianus), sobrinho-neto e herdeiro de César e vencedor da Guerra Civil contra Marco Antônio e Cleópatra, e, portanto, o homem mais poderoso da República Romana, os títulos de Augustus (Augusto), honraria de caráter religioso que significa “O Venerável”, e Princeps (Príncipe), significando “o Primeiro Cidadão”, marcando formalmente o início do Império Romano.

 

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Ao se tornar “Princeps” e passar a ser chamado de Augusto, Otaviano já ocupava o centro da vida política romana há mais de 30 anos. Na verdade, a partir de 43 A.C. ele dividiu com Marco Antônio (e por alguns anos, com o menos expressivo Lépido, durante o chamado 2º Triunvirato) o governo da República. Com a derrota do rival, em Actium, em 31 A.C., Augusto tornou-se tão poderoso quanto seu tio-avô fora até ser assassinado em 44 A.C.

Porque então, Augusto não adotou a posição e o título de Ditador Perpétuo como César havia recebido?

Nunca saberemos quais os reais propósitos de César: se pretendia tornar-se rei de Roma, como foi acusado pelos conspiradores: se pretendia fundar um Império helenístico mundial casando-se com Cleópatra e fundando uma dinastia (o que parece muito improvável), ou se apenas pretendia ser  um ditador, porém mantendo a República,  mas reformando-a,  mas sem deixar de se retirar um dia, como o fizera Sila. Mas o certo é que o assassinato de César demonstrou ao seu sucessor que os projetos de poder  explicitamente monárquicos e dinásticos eram violentamente repudiados pela sua classe, qual seja, a elite senatorial romana.

Após 18 anos de guerras civis ( De César contra o Partido Aristocrático, do Triunvirato contra os assassinos de César, que pertenciam à mesma facção supracitada e de Otávio contra Marco Antônio),  o fato é que Otaviano encontrava-se em uma posição de supremacia indisputada no Estado Romano, que precisava ser reconhecida oficialmente de alguma forma pelo Senado, porém sem ferir as suscetibilidades republicanas da classe senatorial, afinal, o próprio Otaviano se apresentara como o campeão da República contra o rótulo de pretenso futuro monarca oriental que a propaganda dos sus partidários colou em Antônio.

Desse modo, a Sessão do Senado Romano do dia 16 de janeiro de 16 A.C. caracterizou uma solução conciliatória bem ao gosto dos políticos. A criação de um título inédito, que reconhecia uma situação excepcional, mas que também  ao não sacramentar nenhuma forma nova permanente de governo, aplacava os pudores republicanos dos remanescentes da facção aristocrática do Senado.

Na verdade,  foi no decorrer do governo de Augusto, o qual manteve, formalmente e na aparência, todas as magistraturas republicanas, e sobretudo, na sua longa duração (ele ainda viveria e governaria mais 30 anos depois de receber o título de Princeps) que, pouco a pouco,  todos foram percebendo que a República estava morta e o Império a substituíra.

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