LÍVIA DRUSILA – ESPOSA, MÃE, AVÓ E BISAVÓ DE IMPERADORES ROMANOS

LÍVIA DRUSILA (JÚLIA AUGUSTA) – ESPOSA, MÃE, AVÓ E BISAVÓ DE IMPERADORES

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Em 30 de janeiro de 58 A.C., nasce, em Roma, Livia Drusilla (Lívia), filha do senador romano Marco Lívio Druso Claudiano e de sua esposa Aufídia.

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O nome de nascença do pai de Lívia era Ápio Cláudio Pulcher, mas, por circunstâncias cujo conhecimento se perdeu, ele foi adotado pelo Tribuno da Plebe Marco Lívio Druso, recebendo, assim, o nome do pai adotivo, adicionado do cognome “Claudiano”, para indicar sua ascendência sanguínea.  Lívia  e seu  pai, portanto, eram, segundo Suetônio, descendentes diretos do célebre Cônsul, Censor e Ditador da República Romana, Ápio Cláudio Ceco, que, entre outros feitos, construiu a Via Ápia, em 312 A.C. sendo integrantes de uma das mais ilustres famílias da aristocracia romana.

Já a mãe de Lívia, Aufidia, era filha de Aufídio Lurco, originário de uma família plebéia da cidade latina de Fundi, mas que conseguiu ser eleito Tribuno da Plebe em 61 A.C. Como curiosidade, consta que Aufídio foi o primeiro a criar e vender pavões para abate, enriquecendo em função disso (a carne de pavão,  sobretudo as línguas dessa ave, tinham se tornado uma iguaria da alta gastronomia romana).

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Aproximadamente entre 43 A.C e 42 A.C, Lívia casou-se com seu primo Tibério Cláudio Nero, que havia servido como questor e lutado ao lado de Júlio César. O casal, logo em 42 A.C, teve um filho, que recebeu o mesmo nome do pai e que futuramente se tornaria o segundo imperador romano, Tibério.

Contudo, durante a Guerra Civil que se seguiu ao assassinato de Júlio César, tanto Marco Lívio Druso quanto Tibério (pai) escolheram o lado de Bruto e Cássio, os líderes da conspiração senatorial para assassinar o Ditador. O pai de Lívia chegou a lutar na Batalha de Fílipos e também cometeu suicídio quanto as tropas dos “Libertadores” foram derrotadas pelas forças de Marco Antônio e Otaviano, que se tornaria mais tarde o futuro imperador Augusto.

Quando começaram as perseguições políticas, proscrições e confiscos movidos pelos Triúnviros Antônio, Otaviano e Lépido contra os inimigos políticos do Segundo Triunvirato, Tibério e Lìvia, carregando o bebê Tibério com apenas 2 anos, tiveram que fugir de Roma, em 40 A.C., indo se juntar a Sexto Pompeu, na Sicília, que prosseguia a guerra movida pelos partidários da supremacia nobreza senatorial contra o Triunvirato. Após assinarem uma trégua com Sexto Pompeu, os Triúnviros resolveram anistiar os opositores, e Lívia e seu marido puderam voltar para a Roma, em 39 A.C.

Foi naquele ano de 39 A.C, já em Roma, que a jovem matrona Lívia, em algum evento social, foi apresentada a Otaviano, o Triúnviro e herdeiro de César. Ela tinha apenas 19 anos de idade, mas já estava grávida do segundo filho, que se chamaria Druso. Por sua vez, o jovem Otaviano, que tinha somente 24 anos, já estava no segundo casamento, com Escribônia, cinco anos mais velha do que ele e também grávida da única descendente que ele teria durante toda a sua vida, a sua filha Júlia, “a Velha” (assim chamada para distingui-la de outras homônimas posteriores. Cuidado para não confundi-la, com outra Júlia, filha de César). O casamento de Otaviano e Escribônia decorreu de um arranjo político entre o Segundo Triunvirato e Sexto Pompeu, pois Escribônia era irmã da esposa do segundo.

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Segundo as fontes, Otaviano se apaixonou à primeira vista por Lívia, cujos retratos existentes de fato denotam uma beleza suave e serena, além de porte aristocrático. Pouco depois, ainda em 39 A.C, Otaviano se divorciaria de Escribônia. Apesar deste ser um casamento arranjado, não deve ter deixado de causar algum rebuliço na sociedade romana o fato de o divórcio ter sido oficializado no mesmo dia em que Escribônia deu a luz à Júlia (30 de outubro de 39 A.C.)!

 

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(Busto de Júlia, “a Velha”, filha de Otaviano (Augusto) e Escribônia, foto de Miguel Hermoso Cuesta)

Imediatamente, Tibério Cláudio Nero foi “convencido” a se divorciar de Lívia, não se sabendo, entretanto, de nenhuma reclamação da parte de ambos. Com efeito, Tibério aceitou o fato com resignação e até deve ter vislumbrado a possibilidade de futuras vantagens. Por sua vez, também é muito provável que Lívia tenha se sentido também atraída por Otaviano, afinal, ele tinha quase a metade da idade de Tibério (46 anos), tinha boa aparência e já era, juntamente com seu colega de Triunvirato, Marco Antônio, o homem mais poderoso de Roma. Lívia estava então grávida de seis meses de Druso. Além da paixão que os relatos dizem que Otaviano sentia por Lívia, a escolha dele também deve ter levado em consideração o prestígio da gens Cláudia, uma das famílias patrícias mais tradicionais de Roma.

Há uma tese, inclusive baseada em indícios de problemas de saúde aparentemente hereditários, de que Druso na verdade poderia ser filho de Augusto (Otaviano), fato que teria sido convenientemente ocultado para não comprometer a reputação de homem de conduta moral ilibada que Augusto sempre prezou,  a qual seria passível de ser manchada pelo adultério de Lívia.

Em 17 de janeiro de 38 A.C, três dias após o nascimento de Druso, Otaviano e Lívia se casaram. O casamento duraria 51 anos, até a morte de Otaviano, já chamado de Augusto, em 14 D.C. Lívia somente ficou grávida uma vez de Augusto, mas a criança nasceu prematura e não resistiu ao parto. Eles nunca mais tiveram outros filhos.

Em uma sociedade extremamente patriarcal como Roma, Lívia conseguiu ser influente e ter voz nos assuntos de Estado, servindo virtualmente como conselheira privada de Augusto. Em 35 A.C, ela recebeu o incomum direito de administrar o próprio vasto patrimônio sem necessidade de um tutor ou de concordância do marido (outorga uxória). Lívia teve estátuas erguidas e moedas cunhadas em sua homenagem, uma honra até então exclusiva do sexo masculino.

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(Dupondius (moeda romana), de Lívia)

Politicamente, Lívia representou a síntese das virtudes matronais que Augusto pretendeu fomentar na sociedade romana, já que ela era, reconhecidamente, uma mulher de dignidade e castidade lendárias (vale dizer que os historiadores do reinado de Augusto, como Suetônio, pródigos em relatos da vida sexual do círculo imperial, nada relataram, nesse sentido, quanto à Lívia).

Da mesma forma, Lívia sabia a importância que seu papel de esposa-modelo tinha no Principado inaugurado por Augusto: Consta que, certa vez, perguntada sobre o que tinha feito para ter tamanha e decisiva influência sobre o Imperador, ela teria respondido, com perspicácia e até certo sarcasmo:

“Que isso era devido ao fato de ser ela mesmo escrupulosamente casta, fazendo qualquer coisa que fosse motivo de agrado para ele; não se metendo em seus assuntos; e, em particular, por não ouvir e não notar nada acerca das favoritas que foram objeto das paixões dele”.

Apesar de interpretar publicamente o seu papel de boa esposa com maestria, parece unânime que Lívia manobrou, com sucesso, para tornar seu filho Tibério  o herdeiro e sucessor de Augusto. Nesse ponto, a biografia de Lívia torna-se um tanto sombria, quase como uma espécie de “Madastra Má”. Muitos historiadores atribuem-lhe o exílio do neto de Augusto, Agripa Póstumo, e as mortes do sobrinho e de outros 2 netos dele e potenciais herdeiros: Marcelo, Caio César e Lúcio César, que estavam no caminho de Tibério para o Trono e morreram todos jovens.

Quando Augusto morreu e seu filho adotivo Tibério sucedeu-o, houve rumores de que Lívia teria envenenado o velho imperador, mas é muito mais provável que Augusto tenha morrido de velhice.

Lívia, que passou a ser  oficialmente chamada de “Júlia Augusta”, durante um bom tempo foi tratada pela opinião pública como co-governante e igual a Tibério, o que muito desagradou o novo imperador, que retirou algumas das prerrogativas que o Senado quis conceder a ela. Devido a isso e às seguidas interferências de Lívia no governo que se iniciava, Tibério, progressivamente, afastou-se da mãe, que agia como uma poderosa “dowager” (expressão inglesa que significa a rainha-mãe ou imperatriz viúva que permanece com influência no reino).

Como se não bastasse tudo isso, Lívia, no começo do reinado, foi acusada de mandar envenenar o adorado general Germânico, sobrinho de Tibério que Augusto exigiu que fosse adotado por aquele como sucessor. Germânico morreu no ano de 19 D.C e houve um inquérito que resultou na prisão do governador da Síria, Pisão, como principal suspeito. Tácito inclina-se pela tese de que a morte de Pisão, que alegadamente teria se suicidado no cárcere, enquanto aguardava o seu julgamento, teria sido uma conveniente queima de arquivo, e o historiador parece dar crédito à versão de que a morte de Germânico foi tramada por Lívia.

Em 28 de setembro de 29 D.C, Lívia Drusila morreu com a avançada idade de 86 anos. Consta que Tibério, que então vivia  afastado da Corte em sua fabulosa  Villa Jovis, em Capri, não foi ao velório da mãe, embora a cremação tenha sido retardada vários dias pelos cortesãos que esperavam a sua chegada, até que a decomposição natural do cadáver obrigou aos responsáveis pelo funeral a acender a pira. Além disso, Tibério não permitiu que diversas honras públicas e homenagens fossem conferidas à mãe. Foi somente no reinado do imperador Cláudio, neto de Lívia, que as honras dela foram restauradas, e realizada a sua deificação, em 42 D.C.

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(Estátua de Lívia, trazendo a cornucópia da abundância, provavelmente ligada ao seu culto)

Mostra a impressionante trajetória de Lívia, o fato de que, quando ela nasceu, Júlio César ainda não tinha conquistado a Gália e a República Romana ainda era um regime comandado pelo Senado e pelos magistrados eleitos. Ela foi esposa do primeiro imperador, mãe do segundo, bisavó do terceiro, avó do quarto (Cláudio, que a deificou) e tataravó do quinto e último imperador da dinastia dos Júlio-Cláudios (Nero), uma dinastia que poderia muito bem ser chamada de “Liviana”…

Seu bisneto, Calígula, referia-se a Lívia como “Odisseu de saias“, comparando-a ao mitológico herói Ulisses, em termos de astúcia e dissimulação.

ROMA E SEUS MUROS

Os muros voltaram!

Em pleno século XXI, governantes voltam a investir na construção de muros. Nos Estados Unidos, o polêmico e contestado Presidente Trump elegeu-se tendo com uma de suas promessas a construção de um muro na fronteira dos Estados Unidos com o México. Israel constrói muros separando o país e o território controlado pela Autoridade Palestina; na Hungria, o governo está construindo um muro na fronteira sul do país para impedir a entrada de refugiados  vindos do Oriente Médio…

 

 

A construção de barreiras contra inimigos, reais ou ilusórios, é uma medida recorrente na história dos povos através dos tempos, com maior ou menor sucesso.

Quase todas as cidades do Velho Mundo, e até mesmo do Novo Mundo, tiveram muralhas. Até o século XIX, elas faziam parte da paisagem urbana européia: é verdade que Londres, a precursora, derrubou as suas por volta de 1760, mas as de Viena duraram até 1857. Paris as teve até 1860 e Madri, até 1868.

Em Roma, as primeiras muralhas teriam sido construídas pelo seu sexto rei, Sérvio Túlio, que reinou de 575 a 535 A.C. Essas muralhas provavelmente foram destruídas ou abandonadas durante o domínio etrusco, sendo que, após a invasão gaulesa e o saque de Roma, em 390 A.C, foram levantados novos muros.

Os soldados romanos, normalmente, estavam acostumados a estarem do lado de fora das muralhas, na posição de atacantes,  tentando ultrapassá-las para conquistar uma cidade inimiga cercada: uma das mais importantes condecorações militares romanas era a “corona muralis” – uma coroa de ouro com o formato de um muro que era concedida ao primeiro soldado romano que conseguisse galgar uma muralha.

Impérios em expansão geralmente não necessitam e não dão importância a muralhas. De fato, após a “pax romana”, quando Roma dominou todo o Mediterrâneo e não tinha inimigos à altura, as cidades romanas passaram a negligenciar o reparo e a construção de muralhas, chegando muitas a desmoronarem ou terem o seu perímetro ultrapassado pela expansão urbana, sem que novas fossem edificadas.

Por outro lado, no plano externo, após a derrota das legiões de Varo, na Germânia, que significou o abandono do projeto de incorporação daquele território e de expansão romana além do Reno, houve a necessidade de se estabelecer uma linha de fortificações, torres de vigilânciae paliçadas para prevenir incursões dos bárbaros germânicos, o “limes germanicus”, que, porém, não chegou a ser uma muralha em termos clássicos.

Depois de invadirem a Grã-Bretanha, os romanos perceberam que os custos econômicos e militares de uma expansão até ao norte da ilha também não se justificavam, face a resistência das tribos dos Pictos e Escotos, antepassados dos escoceses. O imperador romano Adriano, que era avesso à política expansionista de seu antecessor Trajano, construiu a primeira muralha fronteiriça contínua de Roma, a chamada “Muralha de Adriano”, no século II D.C.

 

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Porém, mais do que uma estrutura defensiva, a Muralha de Adriano era uma declaração política e uma exibição de poder. Com efeito, além de significar que a expansão romana terminava ali naquele lugar,  pela vontade do imperador, ela servia também como propaganda da divisão do mundo entre civilização e barbárie: de fato, estudos mostram que a muralha era coberta de argamassa caiada de branco, para parecer mais vistosa e impressionante para os bárbaros do outro lado.

Para muitos estudiosos militares, muralhas, entretanto, são uma declaração de fraqueza: nações poderosas não precisam de muralhas, pois seus exércitos são poderosos e temidos o suficiente para intimidar e derrotar os seus vizinhos, invadindo o território inimigo quando for necessário.

Quando o Império Romano passou a ser alvo frequente das invasões germânicas, em meados do século III D.C, as muralhas voltaram à moda: Por todo o Império, as cidades começaram a reparar os seus muros ou a construir novas muralhas.

A própria Roma não escapou. Após a invasão dos Vândalos, que saquearam a cidade de Placência, no norte da Itália, o imperador Aureliano ordenou a construção das impressionantes muralhas que levam o seu nome, com 19 km de extensão, construídas entre 271 e 275 D.C.

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Reforça a tese dos especialistas antipáticos à estratégia militar baseada em muralhas, o fato de que, durante toda a existência das suas muralhas anteriores, ditas Servianas, a cidade de Roma passou 800 anos sem ser invadida por inimigos estrangeiros. Contudo, apenas 140 anos após a construção das Muralhas Aurelianas, Roma foi invadida e saqueada pelos Godos, em 410 D.C.  E, apenas 45 anos depois disso, a Cidade Eterna seria saqueada, ainda mais brutalmente, pelos Vândalos, 455 D.C.

Por outro lado, agora como um caso de sucesso de uma muralha, a nova capital do Império, Constantinopla, que, em 405 D.C recebeu as formidáveis Muralhas Teodosianas, resistiu por mais de mil anos ao cerco dos mais variados inimigos, somente vindo a cair em 1453 D.C, quando os Turcos empregaram os mais poderosos canhões da época.

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Enquanto isso, no moribundo Império do Ocidente, começava uma tendência que se acentuaria na Idade Média:  a população civil circunvizinha , para se proteger, se mudou para quartéis militares fortificados (castra),  para pequenos fortes militares (castellum) ou para pequenos povoados situados em colinas e morros (oppidae). Com a Queda do Império, essas posições fortificadas, agora ocupadas principalmente pelos nobres germânicos vitoriosos, passaram a ser a controlar as terras e a população rural vizinhas, dando origem aos onipresentes castelos que dominaram a paisagem européia medieval.

No século XX, entretanto, o conceito de estratégia militar baseada em muralhas recebeu dois grandes baques: a) a humilhante inutilidade da “Linha Maginot”, contornada com facilidade pelo exército alemão na 2º Guerra Mundial; e b) a queda do “Muro de Berlim”, abatida a golpes de picareta pelos próprios cidadãos da Alemanha Oriental.

E você, leitor, o que acha das muralhas?

18 DE JANEIRO (XV Kalendae Februariae)

 

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No dia 18 de janeiro, ou, na forma do calendário romano, o 15º dia antes das Calendas de Fevereiro (os romanos contavam os dias do calendário para trás, a partir de três pontos fixos do mês: as Nonas – que variavam entre os dias 5 e 7 de cada mês, os Idos – que variavam entre o dia 13 e o dia 15 de cada mês, e as Calendas, sempre o 1º dia de cada mês), ocorreram alguns eventos significativos na História de Roma:

 

1- O assassinato de Publius Clodius Pulcher (Clódio), um importante senador de ilustre família patrícia, que, no entanto, abraçou uma plataforma política demagógica , conseguindo se eleger Tribuno da Plebe, cargo no qual adotou medidas populares como a instituição da distribuição gratuita de trigo para a Plebe.

No entanto, o episódio mais célebre da vida de Clódio foi o famoso escândalo da Festa da Bona Dea, evento exclusivo para mulheres que, no ano de 62 A.C., foi celebrado na casa de Júlio César, então Pontífice Máximo. Clódio, que tinha fama de homem lascivo, conseguiu penetrar na festa disfarçado de mulher, com o intento de seduzir a esposa de César e anfitriã, Pompéia, mas foi descoberto pela mãe de César,  Aurélia Cotta, e teve que responder a um processo criminal movido pelo seu grande adversário, Cícero.

 

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César, por motivos políticos, ficou do lado de Clódio e acabou se divorciando de Pompéia, e no escândalo surgiu a famoso ditado sobre “a mulher de César”, de quem se esperava que “não apenas fosse honesta, mas parecesse honesta”…

Como Tribuno da Plebe, Clódio tentou se vingar de Cícero aprovando uma lei que bania aqueles que tivessem mandado executar um cidadão romano sem julgamento, já que, durante a Conspiração de Catilina, Cícero, como Cônsul, havia decretado a execução dos conspiradores em uma sessão do Senado,  sem direito a defesa, por razões de segurança nacional.

Clódio foi um dos mais ativos políticos do final da República na prática de se valer da violência e intimidação de grupos armados de clientes, escravos e  dos membros dos mistos de associações de bairro e de trabalhadores (collegia) que eram cortejados pelos candidatos romanos para ajudá-los a ganharem as eleições.

Nas eleições de 53 A.C., bandos armados ligado a Clódio por diversas vezes entraram em conflito contra outros bandos controlados por um político rival, Milo.

No dia 18 de janeiro de 52 A.C., nos arredores de Roma, Clódio e sua esposa viajavam escoltados  por 30 escravos quando deram de encontro ao bando de Milo, que incluía gladiadores. Houve um conflito e Clódio foi atingido por um dardo, sendo levado para uma estalagem próxima. Os gladiadores de Milo descobriram o esconderijo e executaram Clódio.

No funeral de Clódio, a pira fúnebre foi instalada na frente da Cúria Hostília, a sede do Senado, no Fórum Romano,  e novos tumultos acabaram acarretando o incêndio do edifício, que posteriormente foi restaurado por Júlio César e, depois de sucessivas restaurações, inclusive pelo imperador Diocleciano, sobreviveu até nossos dias.

 

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2- Morre o Imperador Romano do Oriente, Leão I, o Trácio, em 18 de janeiro de 474 D.C.

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3- Em 18 de janeiro de 350 D.C., as unidades de elite da Guarda Imperial dos Herculanos e dos Jovianos revoltam-se contra o imperador Constante e aclamam como novo Imperador Romano do Ocidente o seu comandante Flavius Magnus Magnentius (Magnêncio), um nativo de Samarobriva (atual Amiens, na França). A aclamação ocorreu em um festejo de aniversário promovido pelo Conde das Riquezas Sagradas (cargo parecido com o de Ministro da Fazenda) Marcelino, celebrado em Autun, na Gália.

Devido à insurreição, o Imperador Constante, que era um dos filhos de Constantino I, o Grande, teve que fugir acompanhado de uns poucos seguidores e acabou sendo morto próximo aos Pirineus.

As províncias romanas da Britânia, da Gália e da Hispânia inicialmente apoiaram a aclamação de Magnêncio e ele até cunhou moedas que, pela primeira vez na História de Roma, ostentavam símbolos cristãos.

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(Moeda de Magnêncio, foto de Classical Numismatic Group, Inc)

Entretanto, como era de se esperar,  Constâncio II, o Imperador Romano do Oriente e irmão do finado imperador deposto por Magnêncio, não aceitou a aclamação deste,considerando-o um mero usurpador.

Magnêncio então foi forçado a avançar em direção a Ilíria para tentar consolidar sua posição estratégica, mas foi derrotado por Constâncio II na Batalha de Mursa, em 28 de setembro de 351 D.C., o que o forçou a recuar para a Itália,  que, no entanto, aderiu ao Imperador do Oriente, levando-o a uma nova retirada para a Gália, perseguido pelo exército leal à Constãncio II.

Finalmente, na Batalha de Mons Seleucus, em meados de 353 D.C., Magnêncio foi decisivamente derrotado pelas tropas de Constâncio II, fugindo para Lugdunum (atual Lyon), onde, em 11 de agosto de 353 D.C., ele cometeu suicídio à honrada maneira dos antigos soldados romanos, caindo sobre a própria espada.

 

 

DE OTAVIANO A AUGUSTO

#AUGUSTO #AUGUSTUS #imperador

Em 16 de janeiro de 27 A.C, o Senado Romano conferiu a Otaviano (Gaius Julius Caesar Otavianus), sobrinho-neto e herdeiro de César e vencedor da Guerra Civil contra Marco Antônio e Cleópatra, e, portanto, o homem mais poderoso da República Romana, os títulos de Augustus (Augusto), honraria de caráter religioso que significa “O Venerável”, e Princeps (Príncipe), significando “o Primeiro Cidadão”, marcando formalmente o início do Império Romano.

 

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Ao se tornar “Princeps” e passar a ser chamado de Augusto, Otaviano já ocupava o centro da vida política romana há mais de 30 anos. Na verdade, a partir de 43 A.C. ele dividiu com Marco Antônio (e por alguns anos, com o menos expressivo Lépido, durante o chamado 2º Triunvirato) o governo da República. Com a derrota do rival, em Actium, em 31 A.C., Augusto tornou-se tão poderoso quanto seu tio-avô fora até ser assassinado em 44 A.C.

Porque então, Augusto não adotou a posição e o título de Ditador Perpétuo como César havia recebido?

Nunca saberemos quais os reais propósitos de César: se pretendia tornar-se rei de Roma, como foi acusado pelos conspiradores: se pretendia fundar um Império helenístico mundial casando-se com Cleópatra e fundando uma dinastia (o que parece muito improvável), ou se apenas pretendia ser  um ditador, porém mantendo a República,  mas reformando-a,  mas sem deixar de se retirar um dia, como o fizera Sila. Mas o certo é que o assassinato de César demonstrou ao seu sucessor que os projetos de poder  explicitamente monárquicos e dinásticos eram violentamente repudiados pela sua classe, qual seja, a elite senatorial romana.

Após 18 anos de guerras civis ( De César contra o Partido Aristocrático, do Triunvirato contra os assassinos de César, que pertenciam à mesma facção supracitada e de Otávio contra Marco Antônio),  o fato é que Otaviano encontrava-se em uma posição de supremacia indisputada no Estado Romano, que precisava ser reconhecida oficialmente de alguma forma pelo Senado, porém sem ferir as suscetibilidades republicanas da classe senatorial, afinal, o próprio Otaviano se apresentara como o campeão da República contra o rótulo de pretenso futuro monarca oriental que a propaganda dos sus partidários colou em Antônio.

Desse modo, a Sessão do Senado Romano do dia 16 de janeiro de 16 A.C. caracterizou uma solução conciliatória bem ao gosto dos políticos. A criação de um título inédito, que reconhecia uma situação excepcional, mas que também  ao não sacramentar nenhuma forma nova permanente de governo, aplacava os pudores republicanos dos remanescentes da facção aristocrática do Senado.

Na verdade,  foi no decorrer do governo de Augusto, o qual manteve, formalmente e na aparência, todas as magistraturas republicanas, e sobretudo, na sua longa duração (ele ainda viveria e governaria mais 30 anos depois de receber o título de Princeps) que, pouco a pouco,  todos foram percebendo que a República estava morta e o Império a substituíra.

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HISTÓRIAS DE ROMA

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Nosso blog tem o propósito de contribuir para a informação e divulgação de assuntos relativos à Roma Antiga e para troca de ideias. Alertamos que o material aqui postado não deve ser usado para fins acadêmicos. Um blog jamais substituirá um curso superior de História.

A foto foi tirada no ano de 2003, em Pont du Gard, próximo à cidade francesa de Nîmes, no Sul da França. A Ponte-Aqueduto sobre o rio Gard é uma das obras-primas da engenharia romana. Eu fui um dos últimos a entrar neste sítio, naquele dia de final de outono. A pessoa que pode ser vista no cantinho superior da foto é minha esposa. Nós tivemos a oportunidade de andar praticamente sozinhos pelo sítio e de certa forma ter a mesma sensação de admiração e reverência que  teria um viajante medieval que percorresse aquele caminho e topasse com aquela construção magnífica, testemunho de uma  antiga e mais sofisticada civilização.