OS PORTÕES DO INFERNO

This Roman ‘gate to hell’ killed its victims with a cloud of deadly carbon dioxide

Fonte: Science Magazine

Cientistas desvendam os mistérios do “Plutonium” , no complexo de templos dedicados ao deus Plutão, na cidade de Hierápolis, na atual Turquia.

O Plutonium era um santuário dedicado a Plutão, deus romano que governava o mundo subterrâneo para onde iam os mortos. No local, sacerdotes castrados traziam animais, geralmente touros, para serem sacrificados, sendo que as vítimas morriam rapidamente sem qualquer intervenção humana, mas os homens que os traziam não sofriam qualquer dano.

Os arqueólogos descobriram que no meio do santuário quadrado, circundado por degraus para os fiéis sentarem-se, ficava uma porta dando para uma pequena gruta, que se comunicava com uma falha geológica que corta a cidade de Hierápolis, em um dos lugares mais geologicamente ativos da região.

Redescoberto a apenas 7 anos atrás, constatou-se que a fissura no solo onde ficava o Plutonium emite constantemente dióxido de carbono vulcânico, que forma uma pequena névoa, que se forma de noite, mas, pela manhã, é dissipada pelos raios de sol. A névoa que se forma no solo é capaz de matar, até a altura de 40 cm, mas acima disso, a concentração de CO² cai rapidamente. Assim, os sacerdotes não eram afetados pelo gás, mas os animais, miraculosamente, morriam asfixiados, ao menos para os antigos, que atribuíam o fato ao poder de Plutão.

JUSTINO I – DE CRIADOR DE PORCOS A IMPERADOR

JUSTINO I – DE CRIADOR DE PORCOS A IMPERADOR

Em 02 de fevereiro de 450 D.C, na Prefeitura romana de Illyricum, então sob a égide do Império Romano do Oriente , nasceu,  na região chamada de Dardania , um menino chamado Istok, um nome de origem trácia ou ilíria, que foi latinizado  como Justino. A criança nasceu em um vilarejo vizinho à fortaleza de Bederiana, provavelmente o vilarejo de Tauresium, por sua vez situado próximo à cidade de Scupi.

A cidade de Scupi, atual Skopje, capital da moderna República da Macedônia. foi fundada no reinado do imperador Domiciano (81-96 D.C) como uma colônia de veteranos militares. Apesar de estar em uma região sob influência cultural grega, o estabelecimento da colônia de soldados romanos veteranos naquela região contribuiu sobremaneira para a romanização da população local de etnicidade ilíria e trácia, cujo idioma predominante passou a ser o latim.

(Ponte Romana, em Skopje e vista atual da cidade)

 

Após a formalização da divisão do Império Romano em 2 metades, Ocidental e Oriental, esta com capital em Constantinopla, por Constantino I, no início do século IV, a região, devido ao paulatino enfraquecimento do Império Romano do Ocidente ocorrido no século seguinte, passou a ser governada por Constantinopla,  onde o grego era o idioma predominante.

Devido às devastações causadas pelos bárbaros hunos e ostrogodos na península dos Balcãs, entre 450 e 460 D.C, o humilde criador de porcos Justino, junto com seus parentes Zimarchus e Ditivistus, todos reduzidos à extrema pobreza, foi obrigado a abandonar o vilarejo e migrar para a capital Constantinopla. Consta que, em sua bagagem, os jovens levavam apenas roupas esfarrapadas e um saco contendo pedaços de pão, para se alimentarem durante a viagem.

Uns dez anos antes de Justino chegar à Constantinopla, o imperador Leão I criara uma guarda imperial de 300 homens, chamada de “Excubitores”, formada, majoritariamente por vigorosos camponeses da região da Isaúria,  com o objetivo de contrabalançar o poder do comandante do exército (Magister Militum), Áspar,  um chefe militar bárbaro, e de seus soldados Godos.

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(Os Excubitores deveriam se parecer com estes soldados na frente do imperador, em trajes cerimoniais e de campanha)

 

Leão conseguu se livrar de Áspar e seus Godos e, sem filhos, foi sucedido pelo comandante dos Excubitores, o Isáurio Tarasis Kodissa, marido de sua filha Ariadne, e o qual adotou o nome de Zeno, em 474 D.C. Após 17 anos de um reinado conturbado, Zeno foi sucedido por Anastácio, que também não tinha herdeiro vivo, e foi indicado por Ariadne, a imperatriz-viúva, com quem se casou.

Ainda durante o reinado de Leão I, a guarda dos Excubitores precisou de novos recrutas. Justino, que tinha um bom físico e provinha de uma região (Dardania), e de uma gente (Ilírios e Trácios), que durante muito tempo vinha fornecendo soldados para o Império, viu a oportunidade e se alistou,  e, junto com seus companheiros Zimarchus e Ditivistus,  conseguiu entrar para os Excubitores.

Justino foi subindo de posto na guarda imperial e , com o seu sucesso na carreira militar, sua irmã Vigilantia deixou a Dardania e veio morar em Constantinopla, acompanhada de outros parentes e conterrâneos, incluindo seu marido Sabbatius, com quem tinha dois filhos: Petrus Sabbatius (o futuro imperador Justiniano I) e Vigilantia Dulcissima (Sabemos que Justiniano nasceu por volta de 482 D.C, em Tauresium, na Dardânia, pois, quando sua cidade natal foi destruída por um terremoto, ele mandou reconstruir a cidade com o nome de Justiniana Prima).

No tempo em que seu sobrinho Justiniano ainda era criança, Justino já devia ocupar um posto importante na Guarda Imperial. Ele se casou com uma mulher chamada Lupicina. Segundo o historiador Procópio, em sua “História Secreta”, Lupicina seria uma escrava de origem bárbara e ex-concubina do antigo dono dela. Muitos historiadores, porém, veem com suspeita as informações depreciativas de Procópio relativas à origem da dinastia justiniana contidas na História Secreta, obra que, por vezes, parece mais um panfleto contra Justiniano.

Justino e Lupicina não tinham filhos.  Portanto, este foi o principal motivo pelo qual Justino, provavelmente antes de se tornar imperador, resolveu adotar seu sobrinho, Petrus Sabbatius, qu, então, passou a se chamar Flavius Petrus Sabbatius Justinianus. Isso pode ter acontecido até mesmo quando Justiniano ainda era adolescente, pois sabemos que ele foi educado com esmero em Constantinopla, recebendo ensinamentos de jurisprudência, história e teologia.

Durante o reinado de Anastácio, Justino foi nomeado Comandante dos Excubitores (Comes Excubitorum), sendo que o seu sobrinho Justiniano também começou sua carreira servindo nesta unidade da guarda imperial

Em 518 D.C,  o imperador Anastácio morreu,  também sem deixar filhos. Ele tinha sobrinhos, sendo que um destes era um provável pretendente. Os ministros do falecido imperador e o clero estavam indecisos e o povo demandava a escolha de um novo imperador, sem que houvesse uma definição. O fato, porém, é que Justino era o comandante da guarnição da capital e, provavelmente não precisou de muito esforço para se impor ou ser escolhido como o sucessor pelo Senado de Constantinopla, em 9 de julho de 518 D.C., com o nome de Flavius Justinus Augustus, aos 68 anos de idade. Sua esposa Lupicina foi coroada como imperatriz, adotando o nome Eufêmia.

 

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(Tremissis, moeda de ouro, de Justino I)

 

Segundo Procópio, Justino I era analfabeto e falava apenas um grego rudimentar (talvez ele fosse apenas incapaz de ler e escrever em grego). O historiador narra que, em decorrência, seus ministros foram obrigados a mandar fazer placas de madeira com o desenho das palavras habitualmente utilizadas para os despachos do imperador, para que Justino, segurando o estilete, apenas seguisse o contorno das letras pré traçadas com a sua mão, citando-se como exemplo o caso da palavra latina “Fiat” (cumpra-se)!

Entretanto, pouco a pouco, Justiniano, o ambicioso e preparado sobrinho e filho adotivo de Justino, foi se tornando o governante de fato do Império Romano. (O Império do Ocidente havia terminado em 476 D.C, durante o reinado de Zeno). Em 521 D.C, Justiniano foi nomeado Cônsul. Observe-se que Justino tinha outro sobrinho, chamado Germanus, que até se destacou como general, mas parece que este não tinha propensão ou vontade de entrar na política.

O reinado de Justino teve como fato marcante o retorno à ortodoxia do concílio católico de Calcedônia, o que por sua vez, teve consequências nas relações com o reino ostrogodo de Teodorico, na Itália, que então formalmente reinava na Itália em nome do Imperador. Conflitos com a Pérsia e o terremoto que destruiu Antióquia também são dignos de nota.

Porém, indubitavelmente, o maior significado do reinado de Justino foi o fato de ele ter sido sucedido por seu sobrinho Justiniano, cujo reinado foi um divisor de águas na História do Mundo Mediterrâneo, com repercussões até no presente, seja pela reconquista da Itália, do norte da África e do extremo sul da Espanha para o Império, seja pela promulgação do Corpus Juris Civilis, codificação de toda a legislação romana que influenciaria o Direito até os nossos dias.

Justino ficou doente em 527 D.C e o Senado pediu que ele nomeasse Justiniano como co-imperador, o que foi feito em 04 de abril de 527 D.C.

 

Justiniano.

(Justiniano I, mosaico da Igreja de San Vitale, em Ravenna)

 

Em 1º de agosto de 527 D.C, Justino morreu aos 77 anos de idade. Ele foi enterrado ao lado de Eufêmia, que falecera poucos anos antes.

18 DE JANEIRO (XV Kalendae Februariae)

 

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No dia 18 de janeiro, ou, na forma do calendário romano, o 15º dia antes das Calendas de Fevereiro (os romanos contavam os dias do calendário para trás, a partir de três pontos fixos do mês: as Nonas – que variavam entre os dias 5 e 7 de cada mês, os Idos – que variavam entre o dia 13 e o dia 15 de cada mês, e as Calendas, sempre o 1º dia de cada mês), ocorreram alguns eventos significativos na História de Roma:

 

1- O assassinato de Publius Clodius Pulcher (Clódio), um importante senador de ilustre família patrícia, que, no entanto, abraçou uma plataforma política demagógica , conseguindo se eleger Tribuno da Plebe, cargo no qual adotou medidas populares como a instituição da distribuição gratuita de trigo para a Plebe.

No entanto, o episódio mais célebre da vida de Clódio foi o famoso escândalo da Festa da Bona Dea, evento exclusivo para mulheres que, no ano de 62 A.C., foi celebrado na casa de Júlio César, então Pontífice Máximo. Clódio, que tinha fama de homem lascivo, conseguiu penetrar na festa disfarçado de mulher, com o intento de seduzir a esposa de César e anfitriã, Pompéia, mas foi descoberto pela mãe de César,  Aurélia Cotta, e teve que responder a um processo criminal movido pelo seu grande adversário, Cícero.

 

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César, por motivos políticos, ficou do lado de Clódio e acabou se divorciando de Pompéia, e no escândalo surgiu a famoso ditado sobre “a mulher de César”, de quem se esperava que “não apenas fosse honesta, mas parecesse honesta”…

Como Tribuno da Plebe, Clódio tentou se vingar de Cícero aprovando uma lei que bania aqueles que tivessem mandado executar um cidadão romano sem julgamento, já que, durante a Conspiração de Catilina, Cícero, como Cônsul, havia decretado a execução dos conspiradores em uma sessão do Senado,  sem direito a defesa, por razões de segurança nacional.

Clódio foi um dos mais ativos políticos do final da República na prática de se valer da violência e intimidação de grupos armados de clientes, escravos e  dos membros dos mistos de associações de bairro e de trabalhadores (collegia) que eram cortejados pelos candidatos romanos para ajudá-los a ganharem as eleições.

Nas eleições de 53 A.C., bandos armados ligado a Clódio por diversas vezes entraram em conflito contra outros bandos controlados por um político rival, Milo.

No dia 18 de janeiro de 52 A.C., nos arredores de Roma, Clódio e sua esposa viajavam escoltados  por 30 escravos quando deram de encontro ao bando de Milo, que incluía gladiadores. Houve um conflito e Clódio foi atingido por um dardo, sendo levado para uma estalagem próxima. Os gladiadores de Milo descobriram o esconderijo e executaram Clódio.

No funeral de Clódio, a pira fúnebre foi instalada na frente da Cúria Hostília, a sede do Senado, no Fórum Romano,  e novos tumultos acabaram acarretando o incêndio do edifício, que posteriormente foi restaurado por Júlio César e, depois de sucessivas restaurações, inclusive pelo imperador Diocleciano, sobreviveu até nossos dias.

 

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2- Morre o Imperador Romano do Oriente, Leão I, o Trácio, em 18 de janeiro de 474 D.C.

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3- Em 18 de janeiro de 350 D.C., as unidades de elite da Guarda Imperial dos Herculanos e dos Jovianos revoltam-se contra o imperador Constante e aclamam como novo Imperador Romano do Ocidente o seu comandante Flavius Magnus Magnentius (Magnêncio), um nativo de Samarobriva (atual Amiens, na França). A aclamação ocorreu em um festejo de aniversário promovido pelo Conde das Riquezas Sagradas (cargo parecido com o de Ministro da Fazenda) Marcelino, celebrado em Autun, na Gália.

Devido à insurreição, o Imperador Constante, que era um dos filhos de Constantino I, o Grande, teve que fugir acompanhado de uns poucos seguidores e acabou sendo morto próximo aos Pirineus.

As províncias romanas da Britânia, da Gália e da Hispânia inicialmente apoiaram a aclamação de Magnêncio e ele até cunhou moedas que, pela primeira vez na História de Roma, ostentavam símbolos cristãos.

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(Moeda de Magnêncio, foto de Classical Numismatic Group, Inc)

Entretanto, como era de se esperar,  Constâncio II, o Imperador Romano do Oriente e irmão do finado imperador deposto por Magnêncio, não aceitou a aclamação deste,considerando-o um mero usurpador.

Magnêncio então foi forçado a avançar em direção a Ilíria para tentar consolidar sua posição estratégica, mas foi derrotado por Constâncio II na Batalha de Mursa, em 28 de setembro de 351 D.C., o que o forçou a recuar para a Itália,  que, no entanto, aderiu ao Imperador do Oriente, levando-o a uma nova retirada para a Gália, perseguido pelo exército leal à Constãncio II.

Finalmente, na Batalha de Mons Seleucus, em meados de 353 D.C., Magnêncio foi decisivamente derrotado pelas tropas de Constâncio II, fugindo para Lugdunum (atual Lyon), onde, em 11 de agosto de 353 D.C., ele cometeu suicídio à honrada maneira dos antigos soldados romanos, caindo sobre a própria espada.

 

 

DE OTAVIANO A AUGUSTO

Em 16 de janeiro de 27 A.C, o Senado Romano conferiu a Otaviano (Gaius Julius Caesar Otavianus), sobrinho-neto e herdeiro de César e vencedor da Guerra Civil contra Marco Antônio e Cleópatra, e, portanto, o homem mais poderoso da República Romana, os títulos de Augustus (Augusto), honraria de caráter religioso que significa “O Venerável”, e Princeps (Príncipe), significando “o Primeiro Cidadão”, marcando formalmente o início do Império Romano.

 

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Ao se tornar “Princeps” e passar a ser chamado de Augusto, Otaviano já ocupava o centro da vida política romana há mais de 30 anos. Na verdade, a partir de 43 A.C. ele dividiu com Marco Antônio (e por alguns anos, com o menos expressivo Lépido, durante o chamado 2º Triunvirato) o governo da República. Com a derrota do rival, em Actium, em 31 A.C., Augusto tornou-se tão poderoso quanto seu tio-avô fora até ser assassinado em 44 A.C.

Porque então, Augusto não adotou a posição e o título de Ditador Perpétuo como César havia recebido?

Nunca saberemos quais os reais propósitos de César: se pretendia tornar-se rei de Roma, como foi acusado pelos conspiradores: se pretendia fundar um Império helenístico mundial casando-se com Cleópatra e fundando uma dinastia (o que parece muito improvável), ou se apenas pretendia ser  um ditador, porém mantendo a República,  mas reformando-a,  mas sem deixar de se retirar um dia, como o fizera Sila. Mas o certo é que o assassinato de César demonstrou ao seu sucessor que os projetos de poder  explicitamente monárquicos e dinásticos eram violentamente repudiados pela sua classe, qual seja, a elite senatorial romana.

Após 18 anos de guerras civis ( De César contra o Partido Aristocrático, do Triunvirato contra os assassinos de César, que pertenciam à mesma facção supracitada e de Otávio contra Marco Antônio),  o fato é que Otaviano encontrava-se em uma posição de supremacia indisputada no Estado Romano, que precisava ser reconhecida oficialmente de alguma forma pelo Senado, porém sem ferir as suscetibilidades republicanas da classe senatorial, afinal, o próprio Otaviano se apresentara como o campeão da República contra o rótulo de pretenso futuro monarca oriental que a propaganda dos sus partidários colou em Antônio.

Desse modo, a Sessão do Senado Romano do dia 16 de janeiro de 27 A.C. caracterizou uma solução conciliatória bem ao gosto dos políticos. A criação de um título inédito, que reconhecia uma situação excepcional, mas que também  ao não sacramentar nenhuma forma nova permanente de governo, aplacava os pudores republicanos dos remanescentes da facção aristocrática do Senado.

Na verdade,  foi no decorrer do governo de Augusto, o qual manteve, formalmente e na aparência, todas as magistraturas republicanas, e sobretudo, na sua longa duração (ele ainda viveria e governaria mais 40 anos depois de receber o título de Princeps) que, pouco a pouco, todos foram percebendo que a República estava morta e que um novo regime, o Império, a substituíra.

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