No dia 23 de fevereiro, o último dia do ano no calendário romano primitivo, celebrava-se o festival em honra do deus Terminus(Término), a divindade que zelava pelas fronteiras e pelos limites das propriedades particulares e, naturalmente, pela harmonia entre os vizinhos.
Ao contrário da maior parte dos deuses do panteão romano, Término não era representado por estátuas antropofórmicas, e sim pelos marcos de pedras que marcavam os limites dos terrenos. Alguns séculos mais tarde, ele passou a ser representado por uma cabeça humana com corpo em forma de marco de limites.
Grey2, Public domain, via Wikimedia Commons
Essas pedras eram ungidas solenemente e adornadas com coroas de flores e encravadas em um buraco, o qual também tinha sido consagrado com o sangue de um animal sacrificado, e onde se colocavam vinho e outras oferendas.
Então, todo dia 23 de fevereiro, os vizinhos cujas propriedades eram delimitadas por Término encontravam-se e sacrificavam um porco ou um cordeiro, cujo sangue era utilizado para salpicar os marcos de limites.
Em Roma, a Terminália, que era como se chamava o festival público em homenagem a Término, tinha como local de celebração o sexto marco da estrada para Laurentum, cidade próxima à Óstia, que nos primórdios da fundação da Cidade, marcava o seu limite.
Entre os diversos festivais religiosos celebrados pelos romanos, as Lupercais (ou Lupercalia) incluem-se entre os mais primitivos, misteriosos e, não obstante, duradouros.
Circle of Adam Elsheimer (1578-1610), Public domain, via Wikimedia Commons
O festival durava três dias, a partir dos Idos de fevereiro (dia 13) e terminava no dia 15.
A maior parte do que se sabe acerca daLupercalianos foi transmitido pelo historiador romano Tito Lívio. Vale observar, contudo, que é bem provável que o festival seja anterior à fundação de Roma, fazendo parte dos costumes dos povos itálicos ancestrais. O seu nome indica uma associação com o animal lobo (lupus, em latim) e acredita-se que ele pode ter surgido como um ritual para afastar os lobos, que no passado remoto infestavam as florestas do Lácio, dos rebanhos dos pastores. Posteriormente, os Romanos associaram o ritual com a lenda da Fundação de Roma, em que os gêmeos recém-nascidos Rômulo e Remo, filhos de Reia Sílvia, filha do rei deposto de Alba Longa, Numitor, engravidada pelo deus Marte, após serem jogados no Rio Tibre, sobrevivem e são amamentados por uma loba, em uma caverna.
Fragmentos do relevo reconstituído da fachada da Ara Pacis, mostrando cena relacionadas com lenda de Rômulo e Remo, que estão sendo amamentados pela loba na Lupercal. Foto: Amphipolis, CC BY-SA 2.0 https://creativecommons.org/licenses/by-sa/2.0, via Wikimedia Commons
Depois de dois dias de festa e procissões, no dia 15 de fevereiro, dois grupos de rapazes, que recebiam o nome de “Luperci“, membros das famílias patrícias da Cidade, partiam para a entrada de uma caverna na colina do Palatino, chamada de “Lupercal“, que, acreditava-se, seria a referida caverna onde a loba cuidou dos lendários fundadores de Roma, Rômulo e Remo. Neste local, eles sacrificavam bodes e um cachorro (que era uma vítima inusitada para os romanos).
O sangue que ficava na faca devia ser passado na testa de dois dos Luperci, bem como em pedaços de lã encharcados de leite. Nesse momento, ambos deveriam rir, ainda que não soubessem o motivo.
Então, os dois rapazes deveriam entrar na caverna e fazer um banquete, acompanhado de bastante vinho. Ao saírem da caverna, nus, a não ser por um cinto de couro de cabra, apesar de estarem no frio inverno de fevereiro, os rapazes carregavam tiras, também de couro de cabra, e passavam no meio da multidão reunida para o evento, que os assistia correr ao longo de um percurso marcado no sopé do Palatino, correspondendo a um dos primitivos ajuntamentos romanos.
Durante a corrida, os jovens açoitavam as pessoas da multidão com as tiras de couro, mirando especialmente as mulheres, porque acreditava-se que essas chicotadas tornariam as mulheres mais férteis e curariam as que fossem estéreis. A finalidade da corrida em torno do Palatino também era a de afastar os maus espíritos dos antigos limites sagrados da cidade de Roma (Pomerium).
Andrea Camassei, (1635) Public domain, via Wikimedia Commons
É bem possível que os romanos, já no final da República e durante o Império, nem soubessem mais exatamente a origem da cerimônia, mas as Lupercais estavam tão arraigadas na memória coletiva que elas continuaram sendo celebradas, inclusive mesmo depois da Queda do Império Romano do Ocidente, somente tendo sido proibidas por um decreto do Papa Gelásio, que cujo pontificado durou de 492 a 496 D.C.
Para alguns, as Lupercais teriam sido o embrião do nosso moderno Carnaval.
Em um episódio célebre da História de Roma, o triúnviro Marco Antônio, quando já era um homem público, uma vez participou da celebração, nu como um Lupercal, sendo muito criticado por isso e inclusive sendo ridicularizado por Cícero. Foi, aliás, nesta Lupercalia que Antônio ofereceu uma tiara de ouro ao Ditador Júlio César, por três vezes, tendo esta sido recusada pelo Ditador em todas as oportunidades, encenação que teria sido um dos pretextos para a conspiração senatorial que resultou no seu assassinato, com o objetivo de evitar que ele se tornasse rei.
John Clark Ridpath (1894), Public domain, via Wikimedia Commons
O episódio foi eternizado por Shakespeare, no começo da peça “Júlio César“, quando o Ditador pede a Marco Antônio que chicoteie sua esposa Calpúrnia, com o fim de livrá-la da infertilidade.
Anunciou-se, em 2007, que a caverna Lupercal foi redescoberta em Roma, na colina do Palatino, exatamente sob as ruínas da residência erguida no local pelo imperador Augusto, que provavelmente pretendeu com isso ligar o seu nome ao de Rômulo, o mítico fundador de Roma (vide link abaixo).
Segundo as fontes, Antínoo (Antinous) nasceu no mês de novembro (no dia 27, dia do festival em sua honra, segundo uma inscrição), provavelmente por volta do ano de 111 ou 112 D.C., na cidade de Claudiopolis (atual Bolu no noroeste da Turquia), na província romana da Bitínia. Embora a cidade fosse bem antiga e tivesse feito parte do Império Hitita, ela foi helenizada e reconstruída por colonos gregos vindos da cidade de Mantinea (antes da conquista romana, a cidade chamava-se Bithynium).
Em junho de 123 D.C., o imperador Adriano, então com 47 anos de idade, que se notabilizou por viajar por todo o Império Romano, chegou à cidade de Claudiopolis e, em algum momento de sua estadia, notou o ainda pré-adolescente Antínoo, atraído pela beleza do menino.
Deixando Claudiopolis, Adriano continuou seu tour pelas províncias orientais do Império, mas deve ter providenciado para que Antínoo fosse enviado para Roma, provavelmente para ser educado no Paedagogium, a escola existente no Palácio de Domiciano, no monte Palatino, destinada à instrução dos pajens imperiais.
(Ruínas do Peadagogium, no Palatino, em Roma)
Adriano voltou para Roma em setembro de 125 D.C., e, em algum momento nos anos seguintes, ele reencontrou Antínoo e ambos tornaram-se amantes. Três anos depois, quando Adriano partiu para nova viagem para a Grécia, Antínoo acompanhou-o, integrando a comitiva imperial.
Os historiadores concordam que Adriano tinha nítida inclinação homossexual e que o casamento dele com a imperatriz Sabina seria apenas por conveniências políticas e manutenção de uma imagem pública.
De qualquer forma, os costumes gregos estavam disseminados pela elite romana e o fato do imperador ter como amante um garoto inseria-se dentro da prática helênica da “pederastia“, onde se admitia que o mestre, mais velho (erastes), iniciasse sexualmente o discípulo (eromenos), aceitando-se que mantivessem relações sexuais até que o segundo saísse da puberdade e entrasse na idade adulta. Portanto, a opinião pública não deve ter dado muita importância ao relacionamento sexual entre o imperador e seu jovem pajem.
(Busto da imperatriz Sabina, cujo casamento com Adriano foi notoriamente infeliz)
Consta que Adriano elogiava a inteligência de Antínoo. Ele escreveu poemas em homenagem ao amante, que infelizmente, não chegaram até os nossos dias. Por sua vez, não há nenhum indício de que Antínoo tenha se valido de sua privilegiada posição para obter algum ganho pessoal ou influência política.
Não se sabem muitos detalhes do relacionamento entre Adriano e Antínoo, mas é certo que as caçadas eram um dos divertimentos que eles faziam juntos, de acordo com o relato de um incidente, ocorrido em setembro de 130 D.C., durante uma viagem pelo norte da África, na Líbia, no qual os dois decidiram caçar um leão que estava atacando a população da região. Nessa caçada, Adriano teria salvo a vida de Antínoo e o incidente foi também imortalizado em um relevo circular (tondo), que sobreviveu até nossos dias, por ter sido posteriormente afixado no Arco de Constantino, em Roma (à esquerda, abaixo, foto de Radomil).
No decorrer dessa viagem pela África, Adriano e Antínoo chegaram ao Egito, por volta do início de outubro de 130 D.C., parando na antiquíssima cidade sagrada de Heliopolis, de onde eles partiram para um cruzeiro pelo Nilo, navegando até a cidade de Hermopolis Magna. Nas proximidades da referida cidade, as fontes, sem entrar em detalhes, contam que Antínoo caiu no Nilo e morreu, ao que tudo indica, afogado, no dia em que se celebravam antigos festivais em homenagem ao deus egípcio Osíris.
(Vista das ruínas de Hermopolis, foto de Roland Unger)
As principais fontes antigas assim relatam a morte de Antínoo:
Dião Cássio
“Antinous era de Bithynium, uma cidade da Bitínia, a qual nós também chamamos Claudiopolis; ele foi um favorito do imperador e morreu no Egito, seja por ter caído no Nilo, como escreve Adriano, ou, mais verdadeiro, por ter sido oferecido em sacrifício. Pois Adriano, como eu sempre afirmei, sempre se interessou por adivinhações e encantamentos de todo o tipo. Então, Adriano homenageou Antinous – seja devido ao amor que sentia por ele, ou porque o jovem voluntariamente aceitou morrer (sendo necessário que uma vida fosse livremente oferecida para atingir os fins que Adriano tinha em vista) -com a construção de uma cidade no local onde ele sofreu o seu destino, dando-lhe o seu nome; e Adriano também ergueu estátuas, ou imagens sagradas, dele, praticamente por todo o mundo. Finalmente, Adriano declarou que ele tinha avistado uma estrela que ele entendeu ser de Antinous, e alegremente emprestou seus ouvidos a estórias fictícas tecidas por seus adeptos no sentido de que a estrela havia nascido do espírito de Antinous e, assim, tinha aparecido pela primeira vez. No que se refere a isso, então, ele se tornou objeto de certo ridículo, e também porque, quando a sua irmã Paulina morreu, ele, na oportunidade, não fizera nenhuma homenagem.”
História Augusta
“Ele (Adriano) perdeu Antinous, seu favorito, durante uma viagem pelo Nilo, e por este jovem ele chorou como uma mulher. Com relação a este incidente, houve vários rumores: alguns defendem que ele teria se entregado à morte por Adriano, e outros, aquilo que a sua própria beleza, e a sensualidade de Adriano, sugerem…”
Aurelius Victor
“Outros defendem que este sacrifício de Antinous foi pio e religioso, pois, quando Adriano estava desejoso de prolongar a sua vida, e os feiticeiros demandaram que uma vítima voluntária fosse dedicada, diz-se que, após todos recusarem, Antinous ofereceu a si próprio”
Obviamente que não podemos excluir a hipótese de que a morte de Antínoo tenha sido acidental, segundo a versão dada pelo próprio Adriano, nem provar que os outros motivos alegados pelos autores antigos são inverídicos, muito embora tenham se registrado muitos episódios nos quais o o referido imperador mostrou-se explicitamente contrário à prática de sacrifícios humanos. Também não é impossível que, conforme a última passagem da História Augusta acima transcrita alude, a morte do rapaz tenha involuntariamente resultado de algum ato sexual, ou que a queda no rio tenha sido decorrente da embriaguez de ambos os amantes.
Entretanto, é fato que Antínoo estava no limiar de atingir a idade em que o seu relacionamento amoroso com Adriano (que estava com 54 anos de idade) tornaria-se extremamente embaraçoso para o imperador, pois o mesmo não mais poderia se dar sob o manto da pederastia. O relacionamento sexual entre homens adultos livres não era admissível segundo a moral romana, e a chegada da maturidade sexual de Antínoo, que já estava com 18 ou 19 anos de idade, poderia expor o imperador à execração por parte da sociedade romana, especialmente na Itália, e, mais importante, a perda do seu prestígio entre os militares.
Desse modo, ainda que não se possa acusar Adriano, ou seus cortesãos, pelo assassinato de Antínoo, o fato é que a morte dele foi muito conveniente para o trono.
O que ninguém contesta é que Adriano ficou devastado com a morte de Antínoo e ordenou que homenagens inauditas fossem conferidas ao seu falecido amante.
Assim, ainda em outubro de 130 D.C., Adriano proclamou que Antínoo era um deus. A “deificação” já tinha se tornado comum para os imperadores falecidos e até algumas imperatrizes ou pessoas da família imperial já tinha sido tornados divinos, mas era a primeira vez que um simples pajem recebia essa distinção.
Adriano também fundou, no local onde Antínoo morreu, a cidade de Antinopolis, em 30 de outubro de 130 D.C..
O imperador também ordenou a construção de um santuário dedicado a Antínoo no interior de sua fabulosa Villa Adriana, em Tívoli, onde é provável que o falecido amante tenha sido enterrado (talvez depois de ser mumificado no Egito), conforme sugere o texto em hieróglifos no obelisco que foi erguido ali e hoje encontra-se no Monte Pinciano, em Roma (vide https://followinghadrian.com/2016/10/02/the-obelisk-of-antinous/)
A deificação de Antínoo foi seguida pela organização formal de seu culto, patrocinado pelo Estado, em diversas cidades, construindo-se templos e nomeando-se sacerdotes.
Embora, inicialmente, a criação e a adesão ao culto a Antínoo decorresse amplamente do patrocínio imperial e do desejo de adular Adriano (ou, igualmente, do temor em desagradá-lo), certamente a extraordinária beleza do rapaz, bem como as circunstâncias trágicas de sua morte e, principalmente, a similitude da forma e do lugar onde ele morreu com o mito de Osíris (que também morreu afogado no Nilo e depois foi ressuscitado pela mulher, Ísis), contribuíram para a popularização do novo deus, que no Egito, passou a ser associado a Osíris, recebendo o nome de Osirantinous.
Em algumas outras regiões, Antínoo foi considerado um herói mítico, como Hércules, um humano que superou a morte e pode transitar entre o mundo dos mortos e o dos vivos.
Estátuas de Antínoo foram espalhadas por todo o Império Romano, aparentemente baseadas em modelos produzidos em Roma, por ordem de Adriano, uma vez que todas observam os mesmos padrões e contribuíram para popularizar o seu culto..
Foram identificados até hoje 28 templos dedicados a Antínoo e encontrados vestígios de seu culto em pelos menos 70 cidades ao longo do Império Romano. No mundo grego, Antínoo também foi associado aos deuses Hermes e Dionísio. Os centros do culto eram as cidades de Antinopolis, Claudiopolis (local de nascimento de Antínoo) e Mantinea (De onde os seus ancestrais, fundadores de Claudiopolis, teriam vindo). Nessas cidades, também eram celebrados jogos em homenagem ao novo deus, o que ocorreu pelo menos até o início do século III, que também ocorriam em Atenas e Eleusis, tendo estes durado pelo menos até 267 D.C.
De fato, o culto a Antínoo perdurou por séculos após a morte de Adriano. Um papiro do final do século III preserva um poema em homenagem a Antínoo, mencionado a famosa caçada,, o Nilo, sua apoteose e a fundação da cidade em sua honra.
Os bispos e doutores da nascente Igreja também sentiram a necessidade de fazer invectivas contra o culto a Antínoo, No final do século II, Clemente de Alexandria escreveu:
“Outra nova divindade foi criada no Egito – e muito próxima aos Gregos também – que foi solenemente elevada pelo imperador à categoria de deus – o seu favorito cuja beleza era inigualável, Antinous. Ele consagrou Antinous da mesma maneira que Zeus consagrou Ganimedes. Pois a luxúria não é facilmente contida, quando não há medo, e mesmo agora o povo observa as noites sagradas de Antinous, que são realmente vergonhosas, como o amante que as passava junto com ele bem sabia. Por que, eu pergunto, vocês consideram um deus alguém que foi homenageado pela fornicação? Por que vocês ordenaram que ele fosse pranteado como um filho? Por que, igualmente, vocês narram as estórias da beleza dele? A beleza é algo vergonhoso quando manchada pelo ultraje. Não sejam tiranos da beleza, nem ultrajem aquele que está na flor de sua juventude. Guarde-a na pureza, para que permaneça bela. Tornem-se reis da beleza, não tiranos. Deixem-na livre. Quando vocês deixarem a imagem dela pura, então eu reconhecerei a vossa beleza. Então eu irei reverenciar a beleza, quando for o verdadeiro arquétipo das coisas belas. Agora nós temos uma tumba do amante, um templo e uma cidade de Antinous. (Exortação ao Gregos, 4.49.1-3)
O supracitado texto de Clemente de Alexandria também sugere que o culto de Antínoo poderia incluir alguma celebração orgiástica.
Por volta do ano 250 D.C., outro doutor da Igreja, Orígenes, em sua obra “Contra Celso”, refuta os argumentos do filósofo Celso contra a fé cristã (que comparou, entre outros, Jesus Cristo a Antínoo). Nesse texto, Orígenes chega a reconhecer a existência de prodígios atribuídos a Antínoo, mas considera-os obra de um daimon (espírito) ou de mágicos.
Somente com o triunfo do Cristianismo, após a proibição das cerimônias públicas pagãs por Teodósio e a destruição de incontáveis templos, o culto a Antínoo desaparece da História, tendo o culto durado pelo menos uns duzentos e cinquenta anos.
LEGADO
No século XIX, a revalorização do classicismo elegeu as estátuas de Antínoo como o último suspiro da arte clássica greco-romana e símbolo de beleza masculina. Ele também acabou inspirando vários escritores como Oscar Wilde, Fernando Pessoa e Marguerite Yourcenar.
Para saber mais: Lambert, Royston (1984). Beloved and God: The Story of Hadrian and Antinous. George Weidenfeld & Nicolson
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Templo (em latim templum) originalmente era o espaço consagrado ao culto de uma divindade, compreendendo não apenas o edifício (aedes) onde (quase sempre, pois havia divindades que não tinham uma imagem, como Vesta) era guardada a estátua do deus cultuado, mas também o terreno circundante, ou recinto, onde, geralmente na frente, ficava um altar para sacrifícios e outras cerimônias religiosas (alternativamente, a palavra fanum era utilizada como sinônimo de templum). Portanto, os edifícios que hoje chamamos de templos eram denominados, na maior parte dos textos antigos, “aedes” (havendo também as variações sacellum, termo que era mais específico para denominar santuários menores, semelhantes ao que seria uma pequena capela atual, e delubrum, também com este sentido).
Inicialmente, as evidências indicam que os Romanos não construíam edificações para adorarem os seus deuses, que, inclusive, não eram antropomorfizados. Assim, os primeiros templos surgiram em Roma a partir do contato com os Etruscos, e, provavelmente, durante o período em que estes controlaram a cidade.
Então, naturalmente, os primeiros templos romanos imitaram o estilo etrusco. Este estilo de templo era construído sobre um alto pódio (somente podendo ser acessado mediante uma escadaria frontal com muitos degraus) e encimado por um grande frontão triangular colocado acima do lintel, sendo este sustentado por colunas apenas na frente do edifício (pronaos ou pronau), geralmente bem à frente do edifício, espaçadas, lisas e com capitéis simples que deram origem ao estilo chamado de “toscano” (palavra que, aliás, deriva de “etrusco”). Os Etruscos e, por sua influência, os Romanos, nesses tempos, usavam frequentemente tijolos para fazer as paredes, madeira nas colunas, no lintel e nos telhados, e, ainda, terracota, esta sobretudo nos capitéis das colunas, nas estátuas e outros ornamentos (então, não se utilizavam blocos de pedra ou de mármore, como os egípcios e gregos). Tudo pintado em cores bem vivas. O interior (cella) em muitos casos era dividido em três compartimentos, refletindo a trindade Tinia, Uni e Menrva (Júpiter, Juno e Minerva, para os Romanos). Vale citar que por sua vez, os templos etruscos, assim como os romanos, posteriormente, absorveram muito do estilo grego.
O templo romano mais importante durante toda a sua História, e provavelmente o primeiro de tamanho considerável a ser construído na cidade de Roma foi o Templo deJupiter Optimus Maximus, ou também, Templo de Júpiter Capitolino, situado na colina do Capitólio, que, tendo sido dedicado em 509 A.C, ano da instituição da República em Roma, foi destruído e reconstruído diversas vezes. A sua primeira versão era claramente de influência etrusca, e, inclusive, ele foi construído e decorado por trabalhadores e artistas etruscos, incluindo o grande escultor Vulca de Veios.
Mais tarde, os Romanos entraram em contato mais próximo com as cidades fundadas pelos gregos no Sul da Itália, começando a absorver diretamente a cultura grega, principalmente em sua fase helenística, o que se acentuou mais ainda com a conquista da própria Grécia, a partir do século II A.C, o que, obviamente, se refletiu na arquitetura, inclusive dos templos. Porém, apesar de passarem a construir os templos no estilo da arquitetura clássica grega, adotando os estilos de suas colunas e estatuária, e, agora, usando com mais frequência o mármore, sobretudo como revestimento, os Romanos mantiveram algumas características marcantes do estilo herdado dos Etruscos, notadamente a construção do templo sobre um pódio elevado, o acesso por uma escadaria frontal única e a presença da colunata apenas na parte frontal, com, no máximo, meias colunas decorativas nas paredes laterais (os templos gregos eram quase sempre perípteros, ou seja, inteiramente rodeados de colunas, enquanto que os romanos típicos eram prostilos – com colunas apenas na frente, ou pseudoperípteros, isto é, com colunas na frente e meias colunas ou falsas colunas na lateral. E, nos gregos, o acesso se dava por alguns poucos degraus que rodeavam todo o edifício).
Finalmente, sobre os templos romanos, é bom observar que eles eram construídos de acordo com as necessidades rituais das religiões pagãs: as cerimônias e os rituais públicos ocorriam na parte de fora do templo, normalmente em torno de um altar ou ara que ficava na frente do templo. Os fiéis participavam das cerimônias no recinto, mas não entravam em seu interior. No interior do templo propriamente dito ficavam apenas a estátua da divindade, no espaço delimitado pelas paredes (cella), podendo haver outras câmaras ou antecâmaras em que ficavam guardados objetos do culto e/ou oferendas (muitas delas de grande valor intrínseco, motivo pelo qual às vezes os templos funcionavam também como tesouro do Estado), e aos quais somente tinham acesso os sacerdotes. Nesses dias de cerimônias ou festivais públicos, costumava-se abrir as portas do templo e os fiéis então podiam espiar de fora as estátuas dos deuses.
Dito isso, sem mais delongas, vamos àqueles que eu considero os templos romanos sobreviventes mais bem preservados e/ou impressionantes (trata-se de uma seleção discricionária minha, aceitamos sugestões nos comentários):
1- Maison Carré (Nîmes, antiga Nemausus, França)
Provavelmente, após o Pantheon, é o templo romano em melhor estado de conservação que sobreviveu até os nossos dias (isto porque a decoração e o piso do seu interior não foram preservados). Este templo foi dedicado, entre 4 e 7 D.C., a Caio César e Lúcio César, netos e herdeiros adotivos do imperador Augusto que morreram muito jovens, e servia ao culto ao imperador. O prédio foi convertido em igreja na Idade Média, começando a ser restaurado a partir do século XVIII. É um templo hexastilo (seis colunas na fachada) e pseudoperíptero.
Foto do Autor (2003)O autor em frente à Maison Carré (2003)
2- Templo de Augusto e Lívia (Vienne, antiga Vienna, França)
Outra joia romana preservada na França, o Templo de Augusto e Lívia provavelmente foi construído no início do reinado de Augusto, o primeiro imperador, que começou oficialmente em 27 A.C. Há indícios construtivos que denotam que, por volta do ano 40 D.C, houve a necessidade de reconstruí-lo parcialmente, usando-se novos materiais, por algum incidente ignorado, talvez um incêndio ou terremoto. Assim como a Maison Carré, suas colunas são no estilo coríntio, porém ao contrário do primeiro, elas contornam a cella até mais da metade da lateral do edifício, ao invés das meias-colunas existentes no primeiro. Também foi convertido em Igreja, e, brevemente, após a Revolução Francesa, em “Templo da Razão”. Depois disso, foi usado como câmara de comércio e biblioteca, tendo sido restaurado a partir de 1852. É outro templo hexastilo. .
Disputa com o Templo de Hércules Vencedor o título de templo romano mais antigo relativamente intacto ainda de pé . Foi originalmente erguido entre os séculos IV E III A.C., mas a estrutura atual data de cerca de 100 A.C. Situa-se na área do antigo Forum Boarium, que era antigo mercado de gado da cidade de Roma. Foi convenientemente dedicado ao deus Portunus, o deus dos cadeados, das portas e porteiras, do gado e das pontes (por associação), já que o mercado de gado ficava adjacente ao porto fluvial (Portus Tiberunus) e à ponte de pedra (Pons Aemilius) mais antigos de Roma.
É um pequeno templo, elegante e austero, sendo o único da nossa relação adornado com quatro colunas no estilo jônico, e as paredes laterais com meias-colunas no mesmo estilo. No ano 872 de nossa era foi convertido em igreja católica, devendo sua preservação a este fato. Por isso, seu interior é decorado com valiosos afrescos retratando a vida da Virgem Maria, que foram preservados após a desconsagração do edifício.
Como curiosidade, vale mencionar que, até não muito tempo atrás, este templo era conhecido como “Templo da Fortuna Primigênia”, pelo fato, equivocadamente interpretado, de sua fachada ostentar a inscrição “…ORTUN…”.
Country: Italy
Site: Temple of Portunus
Caption: Exterior from angle
Image Date: April 5, 2014
Photographer: Lisa Ackerman/World Monuments Fund
Provenance: Site Visit
Original: email from Lisa AckermanCountry: Italy
Site: Temple of Portunus
Caption: Side facade
Image Date: September 29, 2011
Photographer: Studio Paolo Soriani/World Monuments Fund
Provenance: Site Visit
Original: Sharefile from Alessandra Peruzzetto
4- Templo de Hercules Victor (Roma, Itália)
Outro sobrevivente da Roma Republicana, este templo redondo circundado de colunas coríntias segue o modelo grego (tipo denominado tholos). O Templo de Hercules Victor (ou Hércules Vencedor) também fica no antigo Forum Boarium (atualmente Piazza della Bocca della Veritá), quase ao lado do Templo de Portunus. Isto não é uma mera coincidência, pois os Romanos acreditavam que havia sido neste local que os bois vermelhos do gigante Gerião, capturados por Hércules após completar o seu décimo trabalho, foram roubados por outro gigante, Cacus. Acredita-se que este templo tenha sido construído em 146 A.C, pelo cônsul Lucius Mummius Achaicus, que conquistou e saqueou a rica cidade grega de Corinto. Em assim sendo, ele seria o templo romano mais antigo sobrevivente em boas condições. Por ser redondo, durante muito tempo acreditou-se erroneamente que ele seria um templo dedicado a Vesta, a quem foi dedicado um templo igualmente circular e situado no Fórum Romano.
Outro exemplar muito bem preservado é o Templo de Augusto, na cidade croata de Pula, que, após ser destruída durante a Guerra Civil do Segundo Triunvirato contra os assassinos de César, e refundada por Augusto com o nome de Colonia Pietas Iulia Pola Pollentia Herculanea, em cujo reinado o templo foi erguido, provavelmente após 2 A.C, data em que o Senado Romano conferiu-lhe o título de Pai da Pátria, que se encontrava afixado em letras de bronze na arquitrave. Originalmente fazia parte de um conjunto de três templos. É mais um templo que deve a sua preservação ao fato de ter sido convertido em igreja cristã.
Este templo foi encontrado em 1882, durante a demolição de um castelo medieval na cidade catalã de Vic, que na época do Império Romano tinha o nome de Auso e também era chamada de Vicus Ausonae (Vicus significa povoado ou bairro urbano, em latim, cuja corruptela acabou virando o nome da cidade). No século XI, o templo, feito de arenito, foi coberto pela estrutura do castelo, que também aproveitou como material fragmentos de colunas, capitéis e outros elementos decorativos. Após a sua descoberta, cidadãos proeminentes de Vic resolveram restaurar o templo, aproveitando o fato de que as fundações, as paredes norte e oeste e a maior parte da arquitrave estavam intactos. A única coluna e o único capitel sobreviventes foram utilizados como modelo para a reconstrução dos demais e reincorporados à estrutura, e, assim, o templo foi reconstituído ao que devia ser o seu aspecto original. Devido ao fato de ser uma reconstrução, ainda que utilizando grande quantidade de elementos autênticos, relutamos um pouco em incluí-lo nesta relação, mas resolvemos mantê-lo, afinal, em maior ou menor grau, todos os templos romanos aqui mencionados sofreram algum tipo de intervenção restauradora. O seu estilo, e os elementos encontrados durante a pesquisa arqueológica, sugerem que o templo data do início do século II D.C. A construção do Templo de Vic é muito semelhante a do Capitólio de Dougga, que veremos a seguir.
Dougga originalmente era um povoado númida, que depois foi controlado pelos Cartagineses, até ser conquistada pelos romanos. Após ser elevada à condição de cidade com direitos iguais às das cidades italianas e colônias romanas gozando de maior autonomia, ela recebeu o nome de Municipium Septimium Aurelium Liberum Thugga. O Capitólio de Dougga é um templo originalmente dedicado à chamada Tríade Capitolina: Jupiter Optimus Maximus, Juno e Minerva, o trio de divindades protetoras de Roma que integrava o culto oficial do Estado Romano e que desde o início eram cultuados no Templo de Júpiter Capitolino, que tinha três cellae separadas para cada uma delas. Com a expansão romana, inúmeras cidades espalhadas pelo Império construíram, em seus centros cívicos, templos similares cultuando a Tríade, chamados de Capitolium (pl. Capitolia). Uma inscrição dedicatória aos imperadores Marco Aurélio e Lúcio Vero indica que o templo deve ter sido construído entre 166 e 167 D.C. Assim como no Templo de Vic, as paredes do Capitólio foram erguidas utilizando-se a técnica conhecida como opus africanus, comum nas províncias romanas do Norte da África e que parece ter origem na arquitetura cartaginesa. Juntamente com os Templos de Portunus e de Pula, é um exemplo de templo tetrastilo (quatro colunas na fachada).
8- Templo de Baco (Baalbek, antiga Heliopolis, Líbano)
O Templo de Baco fazia parte de um colossal complexo religioso que compreendia vários templos erguido na antiga cidade de Heliopolis, na província romana da Síria-Fenícia, depois Síria-Coele. O complexo foi construído pelos romanos a partir do final do século I A.C/Início do Século I D.C, em um lugar onde já existia há bastante tempo um centro de culto a divindades solares semitas, como Baal. Durante o Império, a cidade recebeu o nome de Colonia Julia Augusta Felix Heliopolitana. A construção central do complexo era o Templo de Júpiter (88m x 44m x 44m), que disputa com o Templo de Vênus e Roma, em Roma (110m x 53m x 31m), o título de maior templo religioso pagão já construído pelos Romanos, porém dele somente restaram o enorme pódio e algumas colunas de pé. Já o Templo de Baco (66m x 35m x 31m) era o segundo maior do complexo (e, ainda assim, era um dos maiores dentre todos os templos romanos) e o mais bem conservado, ao menos nas laterais e nos fundos. Ele começou a ser construído no reinado do imperador Antonino Pio e provavelmente ficou pronto no reinado do imperador Septímio Severo. O interior da cella é decorado com elaborados relevos e esculturas, possuindo vários nichos. É octastilo (fachada com oito colunas) e o único exemplo de templo períptero da nossa relação.
Incluímos o Capitólio de Brescia nesta relação pelo fato de, apesar de estruturalmente ele estar bem menos preservado do que os demais, não obstante ele contém elementos de valor artístico e histórico inestimáveis. O Capitólio de Brescia foi construído no reinado do imperador Vespasiano, em 73 D.C, no lugar de um edifício religioso mais antigo da época republicana que possuía a cella dividida em quatro partes. Segundo os estudiosos, este templo republicano foi construído entre 89 A.C e 75 A.C, época em que a cidade foi reconhecida como “Civitas” (Município com mais autonomia e direitos civis para os cidadãos). Quando o Capitólio foi construído aproveitando o templo anterior como fundação, a parte mais baixa das paredes e o piso original deste foram preservados, tornando-se o único exemplo de decoração interna de um templo dos tempos da República Romana que sobreviveu. E o Capitólio de Brescia, em si, também teve partes importantes da sua estrutura e da sua decoração que chegaram até os nossos dias pelo fato dele ter sido soterrado por um deslizamento do morro Cidneo, que ficava atrás do edifício, tendo somente sido redescoberto em 1823. Os elementos arquitetônicos encontrados foram remontados, e o Capitólio de Brescia, em seu estado atual, permite distinguir a concepção arquitetônica e paisagística que nortearam a sua construção, contendo três cellae (cultuando a Tríade Capitolina: Júpiter, Juno e Minerva), colocando-o em posição destacada, em uma parte elevada da cidade e tendo o morro atrás, como moldura. Sobreviveram, ainda boa parte do piso original em mármore policrômico, assentado na técnica conhecida como “opus sectile“, e alguns mosaicos decorativos. Finalmente, também foi encontrada na escavação uma espetacular estátua de bronze de uma Vitória Alada, que provavelmente ficava no topo do frontão. É um templo octastilo e prostilo.
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Decoração do templo republicano
Mosaico no pavimento do Capitólio
Pavimento do Capitólio
Estátua da Vitória, Brescia, foto Giovanni Dall’Orto., Attribution, via Wikimedia Commons
10- Templo de Rômulo (Roma, Itália)
Este templo difere de todos os outros que relacionamos pelo fato da sua arquitetura já refletir o estilo do Baixo Império Romano, usando concreto na cúpula de sua rotunda, mas ainda com elementos decorativos clássicos, como colunas e arquitraves, retiradas de prédios mais antigos, dispostas em um formato côncavo. Sem dúvida, é um tipo diferente de todos os outros templos aqui exibidos. No entanto, há controvérsias sobre a real identidade do edifício. O mais aceito é que seria um templo dedicado a Valério Rômulo, filho do imperador Maxêncio, que morreu ainda adolescente em 309 D.C., sendo divinizado por ordem de seu pai. Os elementos que suportam essa tese são o fato de que toda a área foi objeto de construções e renovações por iniciativa de Maxêncio, como os vizinhos Basílica de Maxêncio e Templo de Vênus e Roma. Sobretudo, no local foram encontradas moedas de Maxêncio, inclusive um exemplar com a efígie do rapaz e os dizeres “Divino Rômulo N V Filho do Imperador Maxêncio” no anverso, e, no reverso, uma representação de um edifício com um domo, portas de bronze, quatro colunas, com nichos contendo estátuas entre elas e encimado por uma águia, circundada pelos dizeres: “eterna memória“, um desenho que corresponde exatamente à aparência do Templo. Em outra interpretação, derivada de uma menção do historiador antigo Sexto Aurélio Victor, acredita-se que o edifício seria o “Templum Sacrae Urbis” ou “Urbis Fanum“, que, segundo o relato, teria sido construído por Maxêncio em celebração à deusa Roma. Finalmente, para outros estudiosos, o prédio ocupou o lugar do anterior Templo dos Penates, mas, com o incêndio e demolição deste, foi construído para ser apenas um vestíbulo de entrada monumental da Via Sacra para o Fórum da Paz. De qualquer modo, um fato que nos levou a escolher este templo é porque é o único templo romano (além do Pantheon) que ainda tem a sua porta de bronze original, e funcionando perfeitamente, inclusive com a fechadura original! E, juntamente com o Pantheon, o Templo de Rômulo é o único que continua sendo usado para a mesma finalidade para o qual foi construído: local de culto religioso – uma vez que ele foi convertido, em 527 D.C, em Igreja Católica, durante o reinado de Teodorico, o Grande, rei dos Ostrogodos, a quem a cidade de Roma estava submetida, e que doou o prédio ao Papa, tornando-se, então, o vestíbulo da Basílica de São Cosme e São Damião, no Fórum Romano (que aproveitou outro prédio romano já conectado ao templo, que dava para o Fórum da Paz).
Qualquer relação de templos romanos existentes não pode deixar de mencionar o Pantheon (Panteão, em português). Em termos arquitetônicos, poucos edifícios tiveram tanta influência no mundo quanto ele. Com efeito, é um prédio que foi copiado em vários lugares do planeta e até hoje detém o recorde de ter a maior cúpula (domo) de concreto não reforçado do mundo, com o mesmo diâmetro da rotunda (43,3 metros, ou 150 pés romanos). Aliás, o Pantheon é uma maravilha de engenharia e arquitetura por si só, tanto pelo uso criativo do concreto romano, como por suas proporções perfeitas, sem falar no tamanho do prédio em si e na sua sobrevivência a inúmeros terremotos em quase dois mil anos. A rotunda tem o mesmo diâmetro que a altura do óculo (a abertura no topo do domo por onde entra a luz) até o chão, e assim, se o hemisfério que constitui a cúpula fosse uma esfera perfeita, ela caberia exatamente dentro do espaço interior do Pantheon ou dentro de um cubo perfeito, quase como se fosse uma representação do globo terrestre e da esfera celeste. Internamente, a superfície do domo é recortada por 5 fileiras de 28 quadrados escavados, Esses espaços, chamados de caixotões têm a função prática de aliviar o peso da estrutura do domo, mas não se pode deixar de observar que parecem corresponder aos 28 dias que correspondem ao ciclo lunar. Além disso, 28 é um número em que a soma dos fatores é igual ao próprio número (1+2+4+7+14=28) o que, de acordo com o matemático Pitágoras, expressava a harmonia mística com o Cosmos. Não há registro da existência de um prédio igual ou semelhante ao Pantheon antes ou depois na Arquitetura Romana, com uma cella circular e um pórtico clássico (octastilo) e, portanto, ele é um exemplar único. Curiosamente, este pórtico e a altura de suas colunas e do frontão constituem a única discrepância na perfeição de suas medidas: Originalmente, as colunas teriam 50 pés romanos de altura (14,8 metros), porém, dificuldades logísticas impediram o transporte de colunas desse tamanho (da pedreira de onde de fato vieram as colunas, no Egito) e, mais provavelmente, a colocação das mesmas no local pretendido (talvez devido a limitações dos guindastes), então, os construtores tiveram que usar colunas de 39 pés de altura (o contorno do frontão com a altura originalmente projetada permaneceu na fachada, na parede onde está anexado o pórtico definitivo, mostrando como este é mais baixo do que o planejado. Outras duas características marcantes do Pantheon são o fato dele ser o templo romano com a decoração interior mais bem preservada (e somente algumas residências em Pompéia e Herculano se comparam a ele neste quesito) e de possuir a a porta de bronze romana mais antiga ainda em funcionamento no edifício original. Cada metade da porta, de 4,45 m de altura, pesa 8,5 toneladas, e, mesmo assim, o seu balanceamento é tão perfeito, que, ainda hoje, podem ser abertas por apenas uma pessoa. O Pantheon foi construído no reinado do imperador Adriano, entre 118 e 128 D.C., no lugar de um templo do mesmo nome, erguido por Marco Vipsânio Agripa, no reinado de Augusto, e muitos acreditam, embora não haja prova disto, que ele foi projetado pelo grande arquiteto Apolodoro de Damasco, que concebeu muitos dos grandes projetos de Trajano, o antecessor de Adriano (Embora o significado do seu nome em grego seja “de todos os deuses”, nenhuma fonte antiga afirma que ele fosse de fato um templo onde todos os deuses eram adorados). Contudo, em sinal de modéstia, Adriano manteve a inscrição “M. AGRIPPA, L F COS TERTIUM FECIT” (“Construído por Marco Agripa, filho de Lúcio, Cônsul pela 3ª vez”) no lintel. O Pantheon deve a sua preservação ao fato de ter sido convertido em uma igreja católica em 609 D.C., continuando sendo até hoje a Igreja de Santa Maria e dos Mártires. Mesmo assim, ao longo dos séculos, ele foi despojado do revestimento de mármore das paredes exteriores da cella e de suas telhas de bronze.
CC BY 2.0, https://commons.wikimedia.org/w/index.php?curid=389746Interior do Pantheon. O piso (com algumas substituições que mantiveram o padrão original), o revestimento das paredes do 1º estágio, as colunas e os nichos são originais romanos. Algumas das edículas ou capelas, foram alteradas durante a Renascença, tendo suas colunas substituídas, mas no geral mantiveram a originalidade. Já o revestimento das paredes do 2º estágio foram alteradas no século XVIII, mas no lado direito superior da foto pode ser visto um pequeno trecho que foi restaurado no século XX para o padrão original romano. Foto: Macrons, CC BY-SA 4.0 https://creativecommons.org/licenses/by-sa/4.0, via Wikimedia Commons
Como já explicamos nos artigos anteriores sobre os meses do calendário, o primitivo calendário romano tinha dez meses e começava no mês de março.
Os quatro primeiros meses foram batizados em homenagem a divindades, e os outros seis eram chamados pelo número que correspondia à posição que ocupavam no calendário: Depois de Março, Abril, Maio e Junho, vinham Quintilis, Sextilis, Septembris, Octobres, Novembris e Decembris, respectivamente, o quinto, o sexto, o sétimo, o oitavo, o novo e o décimo mês do ano.
Devido a imprecisão desse calendário primitivo, os romanos passaram a adotar um calendário de doze meses, introduzindo-se os meses de janeiro (Ianuarius), que passou a ser o primeiro mês, e de fevereiro (Februarius). Essa reforma é atribuída ao rei Numa Pompílio, o mítico segundo Rei de Roma.
Assim,Septembrispassou a ser o nono mês do ano, mas, apesar disso, ele manteve o seu nome, com o qual o povo já estava acostumado e que foi preservado mesmo após a nova reforma instituída pelo Ditador Júlio César, implantando o Calendário Juliano, de 365 dias e doze meses. Contudo, nessa oportunidade, adicionou-se um dia ao mês de setembro, que originalmente tinha 29 dias.
Segundo as fontes antigas (cf. Sexto Aurélio Vítor), o imperador romano Cômodo chegou a rebatizar brevemente o mês de setembro com o seu nome (ou, segundo outras fontes, com o nome de Hércules, sua divindade predileta), mas o nome, obviamente, não pegou e, após a sua morte, setembro logo recuperou o seu nome tradicional. Aliás, antes dele, Tibério já havia recusado essa honra, e Calígula havia sugerido a mesma coisa em relação ao seu próprio nome.
Página do Calendário de Filócalo, cópia medieval de calendário romano, mostrando a personificação do mês de setembro.
Segundo os tratados romanos de agricultura, setembro era o mês em que os agricultores deveriam realizar certas tarefas relativas aos vinhedos, e, muito provavelmente por isso, a maior parte das imagens sobre o mês, em calendários ou mosaicos, mostra vinhas ou uvas
A principal festividade religiosa que acontecia no mês de setembro na Roma Antiga eram os vetustos Jogos Romanos (Ludi Romani), em homenagem ao deus Júpiter, e tradicionalmente instituídos pelo rei Tarquínio Prisco, o legendário quinto Rei de Roma (mas, segundo alguns cronistas antigos, isso teria ocorrido no início da República Romana). A principal competição era uma corrida de quadrigas, embora também houvesse a apresentação de peças teatrais, exibição de danças e até lutas de boxe. Os jogos começavam no dia 5 de setembro e sua duração aumentou ao longo História Romana. Durante os Jogos Romanos, ocorria, nos Idos de Setembro (dia 13), o Epulum Jovis, um suntuoso banquete oferecido em honra de Júpiter, em que até os deuses eram formalmente convidados, e suas estátuas trazidas para comerem, ritualisticamente, as iguarias, que eram provadas antes por sacerdotes especializados na organização desses banquetes (Epulones).
Vários imperadores romanos tinham seus aniversários comemorados no mês de setembro, tais como Augusto, Nerva, Antonino Pio, Trajano e Aureliano (coincidentemente, todos considerados “Bons Imperadores”).
(O Festival da Colheita, tela de Sir Lawrence Alma-Tadema, 1871)
No dia 7 de julho, os romanos comemoravam as Nonas Caprotinas, ou Caprotinia, também chamadas, ainda, de Nonas dos Figos Selvagens, que era o festival em honra de Juno Caprotina, a divindade protetora das mulheres escravas.
(Estátua de Juno Caprotina)
Segundo a lenda, uma virgem romana chamada Philotis, que tinha sido capturada pelos gauleses, ou, segundo outra versão, por uma tribo latina adversária dos romanos, subiu em uma figueira selvagem (Caprificus) existente no acampamento inimigo e acendeu uma tocha, assinalando para os romanos o local onde eles deveriam atacar os adversários.
Durante o festival da Caprotinia, do qual só participavam mulheres, as escravas deveriam correr se batendo com os próprios punhos ou com pedaços de pau, e depois elas banqueteavam-se sob uma figueira.
Natural da Toscana, nascido em data incerta, Leão, proveniente da nobreza romana da Itália, foi consagrado bispo de Roma em 440 D.C, quando o Cristianismo já era a religião oficial do Império Romano havia quase meio século.
Em seu papado, Leão estabeleceu as bases para o reconhecimento inconteste da primazia de Roma sobre as demais arquidioceses, tendo jurisdição universal derivada diretamente de São Pedro (“Primazia Petrina“), influenciou os importantes Concílios de Éfeso e de Calcedônia e combateu heresias, notadamente o Maniqueísmo. Nessa questão, Leão contou com o apoio do Imperador Romano do Ocidente, Valentiniano III.
Porém, o fato mais notável da carreira de Leão foi o encontro com Átila, o Huno, quando este invadiu a península italiana, saqueando e destruindo a grande cidade romana de Aquileia.
Após conversar com o Papa, às margens do Lago Garda, Átila decidiu se retirar da Itália, fato que os contemporâneos consideraram miraculoso. Fontes mencionam que as correntes quebradas de São Pedro (que até hoje estariam guardadas na Igreja de San Pietro in Vincoli, em Roma) teriam se unido milagrosamente durante a embaixada de Leão à Átila.
Crenças à parte, muitos historiadores reconhecem a importância da embaixada do Papa, mas que o motivo principal que teria convencido o Huno a deixar a Itália foi a notícia de que grassava a Peste na península.
Por sua trajetória, muitos consideram Leão o fundador do papado moderno, e por tudo isso, recebeu o cognome de “Magno” (grande).
Hoje, dia 27 de setembro de 2018, a Igreja Católica comemora o dia de São Cosme e São Damião.
Os gêmeos Cosme e Damião nasceram em Aegea (agora Ayas, no Golfo do Iskenderun, Cilícia, Ásia Menor), uma cidade portuária da Província romana da Síria, em meados do século III D.C.. Os seus nomes verdadeiros eram Acta e Passio. O pai deles, de nome desconhecido, foi martirizado durante a Grande Perseguição dos cristãos na era de Diocleciano e a mãe se chamava Teodata, ela também venerada como santa pelos ortodoxos. A família seria de origem árabe.
Cosme e Damião praticavam a medicina em Aegea e alcançaram nesta profissão uma grande reputação entre os locais. Eles não aceitavam nenhum pagamento por seus serviços e por isso eram chamados de anargiras (em grego antigo: anargyroi – isto é, “avessos ao dinheiro”). Dessa forma, eles trouxeram muitos novos adeptos para a fé cristã.
Quando a perseguição decretada pelo imperador Diocleciano começou, o governador da Síria, Lísias mandou prender Cosme e Damião e ordenou-lhes que renegassem sua fé.
Não obstante os suplícios, os gêmeos se mantiveram constantes sob tortura e, segundo a tradição cristã, de forma milagrosa, eles não sofreram nenhum ferimento, seja por água, fogo, ar, e nem mesmo na cruz. Porém, os seus carrascos não desistiram e eles acabaram sendo decapitados por uma espada. Os demais irmãos deles, Antimo, Leôncio e Euprepio, também foram martirizados junto com eles.
A execução de Cosme e Damião ocorreu no dia 27 de setembro, provavelmente entre 287 e 303 D.C. (mais provavelmente nesse último ano).
Mais tarde, começaram a surgir relatos milagrosos sobre os gêmeos ligados às suas relíquias. Os restos mortais dos mártires estavam enterrados na cidade de Ciro, na Síria, por isso, o imperador Justiniano I(527-565 D.C.) suntuosamente restaurou esta cidade em honra dos mesmos, depois dele ter sido curado de uma doença perigosa, cura essa que foi atribuída à intercessão de Cosme e Damião.
Justiniano também reconstruiu e decorou a igreja dedicada aos gêmeos mártires em Constantinopla, que veio a se tornar um lugar famoso de peregrinação. E em Roma, o Papa Félix IV (526-530 D.C) converteu um antigo edifício romano, edificado pelo imperador Maxêncio em honra de seu filho Valerius Romulus, e que por isso era conhecido como “Templo de Rômulo”, em uma igreja em honra de São Cosme e São Damião.
(“Templo de Rômulo”, atual Igreja de Santi Cosma e Damiano, em Roma, foto de Anthony M. )
Aliás, o culto a São Cosme e São Damião já havia se espalhado pelo Ocidente ainda durante o fim da Antiguidade, fato que muitos atribuem ao sincretismo religioso que os relacionou às figuras mitológicas de Castor e Pólux, que também eram gêmeos.
No Brasil, Cosme e Damião são considerados santos protetores das crianças, motivo pelo qual, no dia que foi consagrado a eles, os fiéis costumam presentear pelas ruas as crianças com sacos de doces e guloseimas.
Consta que Benedictus (Bento) nasceu em 02 de março de 480 D.C, em Nursia, atual Norcia, uma cidade situada na região da Úmbria, na Itália.
(Detalhe do São Bento de Núrsia, de Fra Angelico)
Segundo a tradição católica, Bento era filho de Anicius Eupropius e de Claudia Abondantia, assim como sua irmã gêmea, Scholastica (Escolástica), que futuramente, também viria a ser canonizada.
(Panorama da atual Norcia, na Itália)
Caso seja verdadeira a filiação de Bento, ele seria membro de uma das mais ilustres famílias da aristocracia do Baixo Império Romano, os Anícios, que foram uma das primeiras famílias da classe senatorial a se converterem declaradamente ao Cristianismo, ainda nos tempos de Constantino, o Grande.
(Relevo em marfim de Anicius Faustus Albinus Basilius, o último Cônsul do Império Romano, no ano de 521 D.C, talvez um parente distante de São Bento de Núrsia)
Durante sua juventude, Bento foi enviado para Roma para estudar retórica e filosofia, como era comum entre integrantes da aristocracia italiana. Ainda segundo a tradição, em Roma, Bento se escandalizou com a decadência moral da Cidade Eterna, que naqueles tempos, era, na prática, governada pelo Senado Romano, desde a Queda do Império Romano, em 476 D.C, ocorrida com a deposição do último imperador romano, Rômulo Augústulo, pelo chefe bárbaro Odoacro, que se autoproclamou “Rei da Itália”.
Abandonando a corrupta Roma, por volta do ano 500, Bento foi para o vilarejo de Enfide (atual Affile, em Subiaco, na região do Lácio), onde, ajudado por um monge chamado Romanus, foi viver em uma caverna como eremita, uma opção de vida religiosa muito frequente no final do Império Romano. Durante os três anos que passou como eremita, Bento passou a ser referência espiritual para os pastores e habitantes daquela região, sendo que em Affile teria ocorrido o primeiro milagre a ele atribuído.
(Vista da atual Affile, a antiga Enfide, onde teria ocorrido o primeiro milagre de São Bento)
Quando o abade do vizinho monastério de Vicovaro morreu, a comunidade cristã procurou Bento e pediu que ele ocupasse o posto vago. Contudo, como abade, Bento tentou implantar uma estrita disciplina, o que desagradou os monges daquele monastério, que, segundo consta, tentaram até envenená-lo, sem sucesso. Após algumas maquinações do invejoso padre Florentius, Bento foi forçado a deixar o Monastério, mas, após a sua saída, ele fundou doze outros mosteiros nas vizinhanças de Subiaco.
Em 530 D.C, Bento fundou o grande Monastério de Monte Cassino (que apesar de destruído pelo bombardeio aliado durante a 2ª Guerra Mundial, foi inteiramente reconstruído).
Foi em Monte Cassino que Bento, aproveitando uma regra anterior, redige a “Regula Monasteriorum“, que ficaria célebre como a “Regra de São Bento“, contendo 73 artigos, os quais regulavam a vida espiritual e terrena dos monges, além de estipularem normas de como administrar um monastério com eficiência, dispondo até sobre a divisão do tempo diário para os monges: oito horas de descanso, oito horas de oração e oito horas de trabalhos diversos. A regra de ouro, como ficaria conhecida, é “Ora et labora” (reze e trabalhe).
(Cópia mais antiga da Regula Monasteriorum, de São Bento, datada do início do século VIII D.C.)
São Bento morreu em 21 de março de 543 D.C, em Monte Cassino (há uma versão de que foi no ano de 547 D.C). Tempos depois, Escolástica também seria enterrada no mesmo Monastério que o irmão.
Embora já houvesse vários monastérios nos territórios ocidentais do Império Romano, São Bento é considerado o fundador do Monasticismo Ocidental. O Mosteiro de Monte Cassino, com suas diversas atividades laborativas e o seu “Scriptorium” (sala onde eram produzidos os livros canônicos, e também copiados os textos da literatura latina e grega), bem como a Regra de São Bento, influenciaram os monastérios posteriores da chamada “Ordem Beneditina“, que deve o seu nome a São Bento, e todos teriam capital influência na difusão do Cristianismo pelo Mundo, e, não menos importante, na preservação do conhecimento da Antiguidade Clássica, permitindo que a herança greco-romana fosse transmitida até os nossos dias.
(Relevo de marfim do século X, mostrando o que parecem ser monges produzindo ou copiando livros em um Scriptorium – Vienna, Kunsthistorisches Museum).
Aqui vão algumas citações dos ensinamentos de São Bento:
“1- O primeiro degrau da humildade é a pronta obediência;
2- O dorminhoco adora se desculpar;
3- Cuide em ser gentil, a fim de que, ao remover a ferrugem, não se quebre todo o instrumento;
4- A oração deve ser curta e pura, a não ser que sua duração seja prolongada por inspiração da Graça Divina;
5- Aquele que não para de falar, não consegue evitar de pecar;
6- O ócio é o inimigo da alma;
7- Está de fato escrito que o vinho de jeito algum é uma bebida para monges, mas, considerando que não se consegue persuadir disto os monges de hoje, pelo menos os deixem beber moderadamente, e não até se saciarem, pois “o vinho faz até o sábio se perder” (Eclesiastes, 19:2);
8- Deixem que todos os hóspedes que chegarem sejam recebidos como se fossem Cristo, pois Ele dirá “Eu vim como hóspede e vocês receberam-Me” (Mateus, 25:35).”
No calendário da Igreja Católica, atualmente o dia 11 de julho é o dia de São Bento de Núrsia