PLÍNIO, O VELHO

PLÍNIO, O VELHO

#Plínio #Pliny

A erupção do vulcão Vesúvio, em 24 de agosto de 79 D.C,  foi uma tragédia que ceifou milhares de vidas e sepultou as cidades de Pompéia, Herculano, Oplontis e Stabiae. E, dentre as vítimas, a mais famosa foi Gaius Plinius Secundus, mais conhecido como Plínio, o Velho, que morreu no dia seguinte à erupção.

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Plínio, o Velho nasceu por volta de 23 D.C, na cidade de Como. Ele era filho de um integrante da classe Equestre (o segundo escalão da nobreza romana), de nome Gaius Plinius Celer e de sua esposa, Marcella.  Nota: A cidade de Como foi fundada por Júlio César, em 59 A.C, com o objetivo de vigiar e conter incursões de tribos alpinas ainda não subjugadas por Roma.

Durante a sua adolescência e juventude, Plínio foi morar em Roma para estudar Direito. Concluídos os estudos, ele ingressou, em 46 D.C, com a idade de 23 anos, no Exército Romano, como era costume entre os jovens da aristocracia, no posto de oficial, servindo na Germânia. O tempo que ele passou nesta província ajudou Plínio a escrever, posteriormente, uma importante obra de história sobre as guerras entre os Romanos e os Germanos. O famoso historiador Tácito utilizaria esta obra de Plínio como fonte para o seu livro “Germania“, o  qual sobreviveu até os nossos dias.

Após o início do reinado de Nero, Plínio voltou à Roma e, ao que se sabe, ele não ocupou nenhum posto no serviço público, dedicando-se à advocacia e aos estudos literários e historiográficos. Ele, então, trabalhou em uma biografia sobre seu comandante na Germânia, Pomponius Secundus, escreveu seus vinte volumes sobre a História das Guerras Germânicas, além de um manual sobre retórica (Studiosus) e, nos anos finais do reinado do referido imperador, oito livros intitulados “Dubii Sermonis“. Somente estes últimos teriam sido publicados enquanto Nero era imperador, o que foi considerado uma prova de coragem, pois o insano monarca tinha fama de perseguir intelectuais que se destacassem.

Quando Vespasiano assumiu o trono, vencedor da guerra civil decorrente da rebelião que causou o suicídio de Nero, e também ele, um equestre nascido em uma pequena cidade italiana, o novo imperador certamente encontrou em Plínio um homem confiável e não conectado ao antigo regime, mas que gozava de prestígio intelectual e tinha experiência militar. Assim, durante o reinado de Vespasiano, Plínio exerceu vários cargos públicos, sobrelevando os de Procurator (ou governador) da Gália Narbonense, da África, da Hispânia e da Gália Belgica (embora não haja certeza quanto a segunda e a última). Consta aaté que Vespasiano costumava receber Plínio à noite para despachar, o que dá provas da intimidade que ele tinha com o imperador.

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O exercício de cargos em variadas regiões do Império Romano também contribuiu para que Plínio escrevesse o seu último e mais famoso trabalho (e o único que chegou até nós): a sua “História Natural“, na verdade, uma verdadeira Enciclopédia em 37 livros, compilando a maior parte do conhecimento do mundo romano sobre os mais variados assuntos, especialmente botânica, zoologia, astronomia, geologia, mineralogia, agricultura e indústria. Muitas das técnicas e equipamentos ali descritos por Plínio foram confirmados pela arqueologia, tais como a extração mineral de ouro pelo processo hidráulico da lavação e o uso de moinhos hidráulicos. Inclusive obras-primas da arte clássica, descritas por Plínio, foram encontradas séculos depois, como é o caso da famosa escultura de Lacoonte e seus Filhos, atualmente em exibição nos Museus Vaticanos, em Roma.

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Em 79 D.C, Plínio foi nomeado por Vespasiano como Comandante da Frota Imperial baseada em Miseno, uma cidade situada na Baía de Nápoles. Em 24 de agosto daquele ano, ele testemunhou a erupção do Vesúvio, em 24 de agosto, com muito interesse, como se esperaria de um naturalista. Todavia, ele logo recebeu em sua casa uma mensagem de sua amiga Rectina, pedindo-lhe que a resgatasse, bem como ao amigo Pomponianus e aos habitantes das cidades costeiras ao sopé do vulcão. Naquela ocasião, estava hospedado com Plínio, o seu sobrinho e herdeiro, Gaius Plinius Caecilius Secundus, que ficaria conhecido como Plínio, o Jovem. de 18 anos de idade.

Plínio, o Velho, após ordenar que a frota rumasse para resgatar os habitantes de outras cidades em perigo, zarpou ele mesmo em um pequeno navio mais veloz para resgatar Rectina e outras pessoas ameaçadas na cidade de Stabiae.

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Efetivamente, Plínio conseguiu desembarcar em Stabiae e encontrar Pomponianus. Porém, os mesmos ventos que haviam impulsionado Plínio rapidamente até Stabiae,  agora impediam o navio de voltar. Plínio, então, resolveu esperar os ventos mudarem, mas a contínua chuva de pedra-pomes lançada do vulcão acabou obrigando o grupo a deixar a casa., já no dia seguinte, 25 de agosto de 79 D.C.

Plínio, o Velho, que era obeso e sofria de problemas respiratórios, acabou não conseguindo acompanhar os outros e, provavelmente, desmaiou e foi deixado  para trás pelo grupo, que deve tê-lo julgado morto. O resto do grupo, ou ao menos alguns deles, conseguiram escapar e relataram o que aconteceu a Plínio, o Jovem. Três dias depois, quando a fumaça e as cinzas dissiparam, o corpo de Plinio, o Velho foi encontrado, intacto e dando a impressão de estar apenas adormecido.

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A erupção do Vesúvio em 79 D.C e a morte de Plínio, o Velho, foram minuciosamente narradas por seu sobrinho Plínio, o Jovem, em uma carta escrita ao historiador Tácito. Por isso, o tipo de erupção vulcânica piroplástica relatado por ele é chamada até hoje de “erupção pliniana”.

Nota: Em 2018, escavações na Região V ( Regio V) de Pompéia encontraram uma inscrição feita a carvão na parede de uma residência, após retirarem a grande quantidade de detritos vulcânicos que cobria o aposento, que via a luz do sol após mais de 1900 anos. A inscrição em latim dizia : “17 de outubro”(vide foto abaixo). Os estudiosos acreditam que, tendo em vista as circunstâncias, o grafito deve ter sido feito poucos dias antes da erupção do Vesúvio, o que comprovaria a tese, já defendida há algum tempo, de que a catástrofe ocorreu em outubro ou novembro e não em agosto de 79 D.C., o que também parece ser reforçado pelos restos de plantas carbonizados e pelas vestígios das vestes das vítimas da tragedia que foram encontrados, apontando para uma data mais próxima ao outono.

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